por Marcelo Stepon Artigo publicado no segundo número do jornal estudantil
“Consciências Sociais” ( feito por alunos – inclusive eu – do curso de ciências Sociais da
Usp ) em Novembro de 1993.
Enquanto o capital produz e reproduz o ser social, nós “iluminados”
alunos de uma universidade chamada Usp somos considerados a
nata…Só se for a nata do leite coalhado, os futuros ideólogos ( formadores de opinião )
de um país miserável e sem cultura.
Passamos horas ao léu , ouvindo sem “filtro” discursos
sobre o homem e as relações sociais que o produzem e do qual são produto, sem
nos importarmos com o conteúdo ontológico * dessas questões.
Para que serve, afinal , o nosso curso de ciências sociais na Usp?
Para formar meros “técnicos de leitura” ?
Onde está a interação de todo o processo de conhecimento
com a sociedade em constante transformação ?
Onde está a discussão das potencialidades humanas de intervenção social ?
Sim, todo processo de conhecimento está sendo
direcionado para e pelo mercado, e, quase todos os níveis de relações sociais
interagentes nos aparecem como simples acessórios para o mercado, pois este
sim dita as regras do jogo, e, dá-lhe empresa júnior , indiretas para
reitor e privatização da Usp!
E nós alunos da Usp ? A nata do leite coalhado ; o que fazemos ?
Podemos perceber sem muito esforço teórico ( já que não temos mesmo este costume )
que os alunos universitários dividem-se
fundamentalmente em dois grandes grupos : o grupo dos apolíticos, incapazes (
conscientemente ou não ) da tentativa de compreender os processos
sociais e toda a sua complexidade , preferindo buscar o seu “eu
social” em algum planeta distante.
Há também o grupo dos “engajados” ,
adeptos do engajamento rasteiro que é fruto da mesma incapacidade
de compreensão dos processos sociais e que por isso lançam-se
desesperadamente numa intervenção social imediatista ,
como que para aliviar a pouca consciência pesada.
Quem já não ouviu estas verdadeiras “pérolas” de um
destes dois grupos :
- “Abaixo o dogmatismo marxista !”
- “Abaixo a exploração capitalista !”
São os chamados “discursos busca-pé”
tão inflamados quanto efêmeros, quase sem substância alguma.
E, neste verdadeiro festival de chavões políticos de toda
espécie, de infinitas palavras de ordem, fica só uma certeza :
A DE QUE A ORDEM DOS DISCURSOS NÃO ALTERA O PRODUTO !
QUE É BRUTO, TOSCO,FOSCO…DÉBIL!
*nota : Levando-se em conta que em muitas elaborações teóricas
importantes que se referem às relações humanas está presente o ser humano enquanto
” ser social ativo”, ou seja, ser que produz e reproduz o seu modo de
existência , podemos perceber o homem como um ser que interage com o mundo.
Assim sendo, toda esta dinâmica ( presente nas elaborações teóricas de autores
como Marx, Weber, Tönnies, etc ) parece perder-se quando somos induzidos a enxergá-las
apenas como meros “modelos para análises sociais”.
Por Marcelo Steponkevicius em 1993.
********************************************egunda-feira, 11 de dezembro de 2006
CAROS
AMIGOS
“PRESTIGIADORES” ; AGORA MAIS DOIS NOVOS POEMAS
VÃ IDEALIZAÇÃO
Imagino-te agora Batendo em minha porta
Na porta entreaberta de minhas carências
Liberto pensamentos dispersos
Vastas imagens, erotizações…
Mas nem ao menos pergunto
Se você comporta um amante
Se você me gosta o bastante ;
Nem ao menos sei
Se você realmente existe
Ou se és mero fruto
D’uma árvore estéril,
Que plantei à revelia
Deste mundo
Vã idealização.
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CADA CABEÇA
UMA
SENTENÇA
Cada cabeça uma sentença
Decerto parece Interessante
Mas neste cruel mundo capitalista
Qual o benefício?
Qual a recompensa ?
Independente dos que pensam
Independente de tudo o que se pensa
Vencem os mais ricos
Comprando a razão à força
Comprando a razão à vidaseg
–*********************************unda-feira, 21 de agosto de 2006
DUPLA TRAIÇÃO
Crônica
( dedicada a Nelson Rodrigues)
No intervalo de mais uma reunião do sindicato, sempre o mesmo assunto :
exploração, mulher e traição ( de mulher e de patrão ). O café era requentado, porém o clima informal fez surgir uma estória fresquinha que um colega nosso segredou a
todos os presentes e que divido com vocês agora sem a menor intenção de fofoca ou julgamento.
Ribeirão Preto, interior de São Paulo, nem metrópole, nem interior. Ali morava Fausto, mais um educado e reservado
pós graduando do campo da saúde mental. Após 28 anos finalmente ele arranjara uma namorada séria. O nome da
beldade era incomum : Ariana Galistéia , tida na região como moça culta, refinada e bastante ocupada com o
trabalho. Parecia ter tudo para dar certo aquele relacionamento. Até a família desconfiada e tradicional aprovou a jovem pois
no primeiro jantar em família , a moça deu uma verdadeira aula sobre a badalada noite com seus restaurantes e vinhos,
este néctar tantas vezes associado à perdição…
O jantar foi um sucesso, muita educação e informação,
apenas uma estranha impressão ficou no ar daquela sala :
estranho a namorada saber tanto sobre a noite, sobre
a alta roda noturna…
Já havia três mágicos meses que ele havia conhecido sua
bela e tudo ia de vento em popa mesmo porque era
começo ; tudo parecia encontros , elogios e muitos
presentes, claro!
Brigas? Só para decidir quem pagaria a conta. Que
maravilha é o amor…
Apenas Fausto queixava-se com a amada o pouco tempo
disponível para ele, este menino prodígio mimado e quase
apaixonado.
Já havia esquecido, o primeiro encontro foi bastante óbvio,
conheceu-a no estacionamento de um shopping. Aquela
coisa de sempre , o pneu do carro – importado – dela furou,
ele foi generoso, a agradecida aceitou a proposta de um
encontro e mais um lindo namoro assim nasceu.
Certo dia, Fausto recebe convite para ministrar uma
palestra numa cidade próxima, palestra sobre sua tese em
andamento : “O controle da mente pelo equilibro
homeostático”. Tentou convidar a namorada, mas ela não
era tão disponível e passiva como ele queria e mais uma
vez disse que estaria fora e muito ocupada naquele fim de
semana com seu novo trabalho de divulgação…
Fausto então viaja sozinho para uma cidade próxima a fim
de realizar a tal palestra no dia seguinte. Hospeda-se num
luxuoso Flat já reservado antecipadamente. Ao cair da
noite, sentiu-se só e inseguro naquele amplo e luxuoso
quarto. Além do mais, muito apegado à família, era a
primeira vez que abandonava sua cidade natal.
O tal do Flat era famoso na região e atendia na maior parte
das vezes grandes executivos. Diziam até existir salas com
cassino e outras tantas jogadas proibidas que a mente de
Fausto não estava preparada para conceber…
Pois bem, muito ansioso e com fome, sem muita idéia para
preencher a noite, foi logo pegando um cardápio na mesa
de centro, mas para seu espanto, viu que o mesmo possuía
outro tipo de iguaria : fotos deliciosas de garotas de
programa ! E mais , com telefone e atendimento em
domicílio. Fast-food ?
Por um instante fechou o livro e começou a pensar na
inusitada situação que se encontrava.
O primeiro impulso sempre é da libido, o desejo de chamar
alguma, claro ! Depois é que vem o conflito, a razão, a auto-
censura, gerando um misto de culpa pelo desejo que
anarquicamente aflora mais uma “sorte” de sugestões
erotizadas para estorvar tudo…
Mas, e o controle ? e a educação tão característica de
Fausto ? Estavam tomando de goleada, xingando o juiz e
ameaçando sair de campo!…
Pensava afoito o pobre coitado: estou sozinho, neste lugar
ninguém me conhece, seria uma loucura um bom
programinha , pena que sou de família , tenho caráter !
pena ? tenho caráter ? E mais, estou namorando agora -
finalmente – com uma moça séria, e isto não é certo, pelo
menos no início…
Seguindo uma seqüência lógica, logo após o conflito veio o
surto e Fausto agora berrava excitado no Flat : dane-se o
certo ou o errado ! Sempre fui o certinho e cá estou
neste conflito louco, logo na primeira chance de sacanagem
que me aparece.
Fausto – humano que é – fraquejou, deixou-se tomar pela
luxúria, pela volúpia, pela lascívia !…
Abriu, mais uma vez, agora rapidamente o “cardápio”,
decidido, folheou-o com água na boca, sentindo-se vivo e
livre como nunca. Sentiu ter o poder nas mãos para decidir
o seu destino. Agora seria só escolher e ligar.
Folha vai, folha vem …de repente uma quebra , sinestesia,
susto, pânico, taquicardia, frenesi!
Fausto não crê, lá estava ela, coincidência fatal, Ariana
Galistéia a séria, a refinada…Sim ! Pois não era qualquer
uma não, era prostituta ; mas de luxo !
Com a alma cindida e enfurecida, Fausto cegou, seu sangue
ferveu, sentiu uma verdadeira erupção de perversidades em
sua mente. Ficou louco, desprovido de razão, desconheceu-
se como nunca!…
Afinal, quem traiu quem? A namorada mentiu, ou apenas
omitiu informações sobre seu ganha-pão ? Fausto : por que
desejar logo uma garota de programa? E ainda em início de
namoro. Circunstâncias ? Castigo?
Divagações à parte, a estória continua…
Tragicômico e hilário momento. Fausto tomado pelo ódio e
querendo vingar-se, liga imediatamente e contrata a
própria namorada para o “programa”. Que situação…
A cena lembra ( além de inúmeras estórias de crimes
passionais , é obvio ) um comentário que certa vez ouvi de
um psicanalista famoso :
“O sexo para ser quente mesmo, não deve haver apenas
romantismo, deve haver sim uma certa dose de
agressividade, agressividade esta que todos temos…”
Marcelo Steponkevicius ( 08 de 2006 )
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OBRIGADO PELA VISITA.
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O objetivo deste "blog" é basicamente um convite à interação, à vida enquanto livre expressão, investigação
e/ou questionamento de algumas certezas ingênuas impostas e/ou introjetadas que insistem ainda em nos
guiar e/ou distorcer e/ou empobrecer nossa visão de mundo.
Pretende estimular o que talvez tenhamos de
mais importante : nossa natureza poética, criativa, crítica, afetiva. Nossa personalidade, nossa
sinceridade e capacidade de reflexão para que possamos ser agentes de nossa própria transformação
(revoluções interiores), bem como agentes das tão necessárias transformações sociais (revolucões externas).
Agradeço antecipadamente o interesse e a participação de cada pessoa, pois nesta participação está o
sentido a riqueza deste deste espaço.
Um grande abraço para todos.
Marcelo Steponkevicius
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Bem Vienido
GRACIAS POR LA VISITA.
El objetivo de esto" blog" es básicamente una invitación a
la inserción, a la vida mientras la expresión libre, investigación y/o
pregunta de algunas certezas ingenuas impuestas y/o introducidas que
insisten en guiarnos y/o torcer y/o empobrecer nuestra visión mundial.
Piensa estimular eso que quizás nosotros tenemos de más importante: nuestra
naturaleza poética, creativa, crítica, afectiva. Nuestra personalidad,
nuestra honestidad y capacidad de la reflexión para que nosotros podamos ser
agentes de nuestra propia transformación (revoluciones interiores), así como
agentes de las tan necesarias transformaciones sociales (revoluciones
externas).
Yo agradezco el interés y la participación de cada persona
de antemano, porque en esta participación es el sentido y la riqueza de este
espacio.
Un abrazo para todos.
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The objective of this " blog " is basically an invitation
to the insert, to the life while free expression, investigation and/or
question of some ingenuous certainties imposed and/or introduced and/or that
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vision. It intends to stimulate what perhaps we have of more important: our
poetic, creative, critic, affective nature. Our personality, our honesty and
reflection capacity so that we can be agents of our own transformation
(interior revolutions), as well as agents of the such necessary social
transformations (external revolutions).
I thank the interest and each person's participation in
advance, because in this participation it is the sense and the wealth of
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