Politica Internacional

Postado em crônicas, polêmicas com categorias, às Maio 1, 2008 por Fabio R.


Um artigo sobre política internacional diretamente de nosso correspondente  de campo, Charles Bukowski.

Um brinde a China dos jogos olímpicos e a democracia do Abraham e do Reagan

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Política é como foder cú de gato

“Prezado Mr: Bukowiski por que o senhor nunca escreve sobre política ou assuntos internacionais? M.K”.

“Caro M.K: Pra quê? Feito, que quais são as novas? -quem não sabe que o negocio esta fervendo?”

O nosso desvairo surge no meio da maior calma, enquanto fica se olhando à procura de fios de cabelo em cima do tapete – se perguntando o que é que poderia ter acontecido, porra, pra esse pessoal inventar de explodir o carrinho cheio de jujuba, com cartaz do marinheiro Popeye colado ao lado.

Negocio seguinte: o sonho acabou e, depois, não sobrou mais nada. o resto é só marmelada pra general e banqueiro.e por falar nisso-acabo de ler que caiu outro bombardeiro dos E.U.A.carregado de bombas de hidrogênio.-DESTA vês no mar perto da Islândia .essa garotada anda muito descuidada com seus aviõezinhos de papel,ao mesmo tempo em que,SUPOSTAMENTE, me protege a vida.O Depto.de Estado diz que as bombas-H estavam “desarmadas”. Sei lá o que significa isso. aí então,lê se mais adiante que uma das bombas H(perdidas)se abriu e espalhou um bocado de titica radioativa por tudo quanto é lado,ao mesmo tempo em que, supostamente me protegia a vida,MUITO EMBORA eu não tivesse pedido nenhuma proteção.a diferença entre democracia e ditadura é que, numa, primeiro a gente vota e depois cumpre ordens,ao passo que na outra não é preciso perder tempo com eleições.

Voltando á queda das bombas-H – há pouco tempo aconteceu coisa idêntica nas proximidades da costa da Espanha. (estamos em tudo quanto é lugar, sempre pra me proteger a vida)mais uma vez,ficaram perdidas, -êta brinquedinho sem juízo.levaram 3 meses –se não me engano - pra localizar e tirar a ultima que estava lá.talvez tenham sido três semanas ,mas pro pessoal que mora na cidade costeira devem ter parecido 3 anos.Essa ultima bomba –não é que a desgraçada inventou de ficar encrencada num cômoro de areia,bem no fundo do mar?e cada vez que tentavam encaixar o troço, com maior cuidado, se soltava e rolava um pouco mais cômoro abaixo. a todas essas,aquela pobre população da cidade costeira se virava de um lado para outro de noite na cama,imaginando que iria saltar pelos ares,por cortesia da bandeira americana.claro que o Depto. de Estado dos EUA em declaração oficial,garantiu que a bomba-H não dispunha de fuso de detonação,mas , enquanto isso, os ricos se mandaram para outras paragens os marinheiros americanos e o pessoal da cidade parecia nervoso á beça.(afinal de contas ,se não fossem capazes de explodir , a troco de quê andariam voando com elas por aí ?seria melhor que transportassem salames de 2 toneladas.fuso quer dizer ,”faísca” ou “gatilho” significa “disparo”, ou coisa semelhante que acione o mecanismo de detonação .AGORA a palavra que usam é “desarmado”, que parece oferecer mais segurança mais no fim dá tudo no mesmo)seja lá como for, tentaram enganchar a bomba ,mas,como se diz, a danada era dura na queda.depois ocorrem algumas tempestades submarinas e nossa trêfega bombinha foi rolando ,cada vez mais,cômoro abaixo .o mar é uma coisa insondável,bem mais que os propósitos do nosso governo.por fim criaram um equipamento especial só para puxar aquele negocio pelo rabo e tirar do fundo do mar..Palomares,foi isso mesmo,foi onde tudo isso aconteceu:Palomares e sabe o que fizeram depois?

A marinha americana apresentou um CONCERTO DE BANDA na praça municipal para celebrar o regaste da bomba-já que o troço não era perigoso todo mundo podia se esbaldar. é, e os marinheiros tocavam e a população espanhola ia escutando, até chegarem a um autentico orgasmo coletivo, um intenso desabafo sexual e espiritual .não sei que fim levou a bomba que tiraram do mar.ninguém(a não ser raros privilegiados) tampouco sabe e a banda tocava enquanto 1000 toneladas de bagulho radioativo era despachado pra Aiken,C.S.,sai mais barato.

Agora portando as nossas bombas andam boiando e afundando, geladas e “desarmadas” lá pela Islândia.

O que é que se faz quando a atenção do povo se volta para questões embaraçosas?ora, muito simples: desvia-se a atenção dele para outras coisas. o povo só tem capacidade para pensar em uma coisa de cada vez.feito,espiem só essa manchete de 23 de janeiro de 1968:B-52 cai perto da Groenlândia com bombas de Hidrogênio .Dinamarqueses protestam.

Dinamarqueses protestam? ah, minha nossa!

Seja lá como for, de repente, no dia seguinte, outra manchete: Norte coreanos capturam navio na marinha americana. Oba o patriotismo voltou!ora já se viu? sacana uma figa! E eu que pensava que aquela guerra tinha acabado!ah, ah saquei-os COMUNAS! títeres coreanos!

A legenda da telefoto da Associated Press diz mais ou menos o seguinte-O navio de reconhecimento dos EUA Pueblo-ex cargueiro do exercito atualmente convertido em embarcação de espionagem secreta da marinha, e que se dispõe de aparelhagem monitora elétrica e equipamento oceanográfico, foi forçado a atracar no porto de Wonsan, perto da costa da Coréia do Norte.

Esses comunas chupadores de piroca, sempre enfunerando a gente por aí!

Mas aí NOTEI que a história da bomba-H tinha passado para uma coluna menor: ”Radiação detectada no local da queda do B-52; Rumores de vazamento na bomba”.

Contam que o presidente foi acordado mais ou menos as 2 da madrugada para ser informado do seqüestro do Pueblo. suponho que tenha voltado a dormir.os EUA dizem que o Pueblo se achava em águas internacionais;os coreanos afirmar que ele estava em águas territoriais .um dos dois países está mentindo.de repente a gente se pergunta, de que serve um navio de espionagem em águas internacionais?é o mesmo que andar de capa de chuva num dia de sol. quanto maior a proximidade melhor a transmissão e a compressão da noticia.

Manchete: 26 de janeiro de 1968: Os EUA convocam 14.700 reservistas da aeronáutica. as bombas –H perdidas na Islândia sumiram completamente do noticiário como se o fato nunca estivesse acontecido. Enquanto isso: o senador John C, Stennis(democrata do Missouri)declarou que a decisão do presidente Johnson( a convocação dos reservistas da aeronáutica) foi “necessária e justificada” e acrescentou, “espero que não hesite em mobilizar também o contingente das tropas terrestres”. O líder da minoria no senado, Richard B.Russel(democrata da Geórgia): ”Em ultima analise o nosso país deve exigir a devolução do navio e da tripulação capturada. Afinal de contas, muita guerra importante começou com incidentes bem menos graves do que este”.

O presidente da câmara dos deputados, Jhon. MacCormack(democrata,Massachusetts): “ o povo americano tem que compreender que o comunismo está emprenhado em conquistar o mundo existe um excesso de apatia em torno disso.”

Se Adolph Hitler fosse vivo acho que gostaria muito de assistir o que está se passando. O que se pode dizer sobre política e assuntos internacionais?a situação de Berlim, a crise cubana, os aviões e navios espiões, o Vietnã, as Coréia, as bombas-H perdidas, o tumulto nas cidades americanas, a fome na Índia, os expurgos na China vermelha?existem bandidos e moçinhos?que sempre diga a verdade, quem nunca minta?bons e maus governos?não. existem apenas governos ruins e outros piores.haverá o clarão de luz e calor rachando a gente de cima a baixo numa noite em que se estiver trepando,cagando,lendo historias em quadrinhos,ou colando selos raros num álbum?a morte instantânea em massa, mas aperfeiçoamos o produto; podemos contar com séculos de conhecimento, cultura e descobertas; as bibliotecas estão aí, sempre aumentando, rodeadas e apinhadas de livros; grandes quadros são vendidos por centenas de milhares de dólares; a ciência medica já faz transplantes cardíacos; não dá pra diferenciar um louco de um são aí pelas ruas, e de repente, quando se vê, as nossas vidas dependem mais uma vez, de verdadeiros idiotas. as bombas talvez nem sejam lançadas:por outro lado talvez sejam.uni,duni,tê, salamê mim güê,sorvete coloret…

Portanto, caros leitores, se me dêem licença, vou voltar pras putas,pros cavalos e pra garrafa enquanto há tempo .se isso contribui para a gente morrer ,então,pra mim,parece bem menos repugnante ser responsável pela nossa própria morte do que qualquer outra modalidade que ande por aí, disfarçada com rótulos sobre Liberdade,Democracia,Humanidade e/ou qualquer outra espécie de Papo furado.primeira largada 12 e 30.primeiro trago,já, e as putas sempre estarão por aí.Claro, Penny,Alice,Jô… .uni,duni,tê, salamê…

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Extraído de “Crônicas de um amor louco” da série “Ereções,ejaculações e exibicionismo”(1970) EUA (2006/2007)BR

Encontrando um amigo

Postado em encontros às Dezembro 9, 2007 por Fabio R.

Nos concursos publicos da vida,

encontrei um antigo amigo dos tempos da universidade , o Helio, gás nobre …Numa sinestesia de satisfação, saudosismo e pena (rs) por ainda estarmos dispersos pelo mercado, garimpando algum espaço, alguma atividademais estável, não tardou para vir à baila o assunto preferido dos cientistas sociais

e afins desempregados, qual seja, o Estado continua fazendo questão de

protelar até o último momento a feitura de concursos públicos para professores

da área de humanas, mas… será obrigado por lei fazê-lo e ai estará posto o

dilema , estará posta a brecha …

Enquanto este famigerado dia não vem , para não entregarmos os

pontos e virarmos hippies ou micro empresários ou desocupados ou um misto

das três coisas (rs)

, vamos sobrevivendo geralmente em ” sub-empregos paralelos”

com direito a chefes semi-analfabetos e fofoca inútil ou , gastando sola e boné

fazendo pesquisa de mercado d ou ministrando parcas aulas eventuais e

fragmentadas , ou batalhando uma bolsa na pós

de uma faculdade pública ou mesmo numa privada…

ou trampando nas Ongs da vida, cujo orcamento pode

minguar da noite para o dia fazendo surgir mais desempregados com

formação , como eu, como você, como o Hélio… e assim fatalmente nos

encontraremos pelos concursos

públicos da vida…

O Hélio , gás nobre dissipado ( pelo mercado?) trabalhava numa

Ong, hoje está vivendo de seguro-desemprego , assim como eu vivi a pouco

tempo atrás…Pois ,este e o preço que se paga por termos estudado humanas ,

perambular por ai à margem da sociedade tecnológica sem contatos nem parentes

importantes e contando apenas com a sorte, os bicos e com alguma vontade

politica capaz de abrir vagas para que possamos simplesmente disputar um lugar

digno para exercemos por fim as ciências humanas.

Mas nem tudo se resume à esperança, se não somos os intelectuais

que tanto admirávamos e admiramos , tambem não nos transformamos em massa de

manobra ; somos gases nobres sim, individualidades e almas criticas

dissipadas, penando por não termos feito a escolha que o mercado necessita , ou seja ,

engrenagens eficientes , polidas, ” tecnologizadas” , “acriticas” e

principalmente ” disponíveis” …

Mas, nesta sociedade mercantilizada, conduzida irracionalmente

pelo capital, nem tudo fica sem troco e nós das ciências
humanas ,

estamos ressentidos, claro ! mas estamos ativos , transmutando… de gás nobre à

nitroglicerina pura !!!

E, assim sendo ; Preparem-se alunos , pois o concurso para

professor tarda ( como sempre) mas não

falha , e longe da derrota , continuamos na batalha lendo e

discutindo, entrincheirados em nossos “empreguinhos” ,

mesmo em tempos de epidemia de besteirol e Big Brother ,

continuamos tecendo a teia ,

entrincheirados sim repito, mas estudando seriamente a questão de

passaremos no próximo

concurso, sermos professores e, como vingança, fazermos a

nitroglicerina pura destilar em cada sala de aula ; muito veneno crítico, seja

em Vila Madalena ou nos guetos da periferia .

Receberemos pouco ? dinheiro e atenção - decerto , isto não é

novidade ; mas estaremos vivos , assinando cada aula elaborada , destilando

nosso veneno crítico, nossa nitroglicerina

fazendo valer um ditado que esperamos estar na boca de todos :

Lutar e questionar ( ainda tem sido ) a melhor vingança !!!

Por Marcelo Stepon em 04 de 2007
 

MAMÃE , QUERO SER INTELECTUAL

Postado em artigos, crônicas, poemas às Fevereiro 10, 2007 por Fabio R.

por Marcelo Stepon  Artigo publicado no segundo número do jornal estudantil
“Consciências Sociais” ( feito por alunos - inclusive eu - do curso de ciências Sociais da
Usp ) em Novembro de 1993.

Enquanto o capital produz e reproduz o ser social, nós “iluminados”
alunos de uma universidade chamada Usp somos considerados a
nata…Só se for a nata do leite coalhado, os futuros ideólogos ( formadores de opinião )
de um país miserável e sem cultura.

Passamos horas ao léu , ouvindo sem “filtro” discursos
sobre o homem e as relações sociais que o produzem e do qual são produto, sem
nos importarmos com o conteúdo ontológico * dessas questões.

Para que serve, afinal , o nosso curso de ciências sociais na Usp?
Para formar meros “técnicos de leitura” ?

Onde está a interação de todo o processo de conhecimento
com a sociedade em constante transformação ?

Onde está a discussão das potencialidades humanas de intervenção social ?

Sim, todo processo de conhecimento está sendo
direcionado para e pelo mercado, e, quase todos os níveis de relações sociais
interagentes nos aparecem como simples acessórios para o mercado, pois este
sim dita as regras do jogo, e, dá-lhe empresa júnior , indiretas para
reitor e privatização da Usp!

E nós alunos da Usp ? A nata do leite coalhado ; o que fazemos ?

Podemos perceber sem muito esforço teórico ( já que não temos mesmo este costume )
que os alunos universitários dividem-se
fundamentalmente em dois grandes grupos : o grupo dos apolíticos, incapazes (
conscientemente ou não ) da tentativa de compreender os processos
sociais e toda a sua complexidade , preferindo buscar o seu “eu
social” em algum planeta distante.
Há também o grupo dos “engajados” ,
adeptos do engajamento rasteiro que é fruto da mesma incapacidade
de compreensão dos processos sociais e que por isso lançam-se
desesperadamente numa intervenção social imediatista ,
como que para aliviar a pouca consciência pesada.

Quem já não ouviu estas verdadeiras “pérolas” de um
destes dois grupos :

- “Abaixo o dogmatismo marxista !”

- “Abaixo a exploração capitalista !”

São os chamados “discursos busca-pé”
tão inflamados quanto efêmeros, quase sem substância alguma.

E, neste verdadeiro festival de chavões políticos de toda
espécie, de infinitas palavras de ordem, fica só uma certeza :

A DE QUE A ORDEM DOS DISCURSOS NÃO ALTERA O PRODUTO !

QUE É BRUTO, TOSCO,FOSCO…DÉBIL!

*nota : Levando-se em conta que em muitas elaborações teóricas
importantes que se referem às relações humanas está presente o ser humano enquanto
” ser social ativo”, ou seja, ser que produz e reproduz o seu modo de
existência , podemos perceber o homem como um ser que interage com o mundo.
Assim sendo, toda esta dinâmica ( presente nas elaborações teóricas de autores
como Marx, Weber, Tönnies, etc ) parece perder-se quando somos induzidos a enxergá-las
apenas como meros “modelos para análises sociais”.

Por Marcelo Steponkevicius em 1993.

********************************************egunda-feira, 11 de dezembro de 2006


CAROS
AMIGOS
“PRESTIGIADORES” ; AGORA MAIS DOIS NOVOS POEMAS

VÃ IDEALIZAÇÃO

Imagino-te agora Batendo em minha porta

Na porta entreaberta de minhas carências

Liberto pensamentos dispersos

Vastas imagens, erotizações…

Mas nem ao menos pergunto

Se você comporta um amante

Se você me gosta o bastante ;

Nem ao menos sei

Se você realmente existe

Ou se és mero fruto

D’uma árvore estéril,

Que plantei à revelia

Deste mundo

Vã idealização.

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CADA CABEÇA
UMA
SENTENÇA

Cada cabeça uma sentença

Decerto parece Interessante

Mas neste cruel mundo capitalista

Qual o benefício?

Qual a recompensa ?

Independente dos que pensam

Independente de tudo o que se pensa

Vencem os mais ricos

Comprando a razão à força

Comprando a razão à vidaseg

*********************************unda-feira, 21 de agosto de 2006

DUPLA TRAIÇÃO

Crônica
( dedicada a Nelson Rodrigues)

No intervalo de mais uma reunião do sindicato, sempre o mesmo assunto :
exploração, mulher e traição ( de mulher e de patrão ).
O café era requentado, porém o clima informal fez surgir uma estória fresquinha que um colega nosso segredou a
todos os presentes e que divido com vocês agora sem a menor intenção de fofoca ou julgamento.
Ribeirão Preto, interior de São Paulo, nem metrópole, nem interior. Ali morava Fausto, mais um educado e reservado
pós graduando do campo da saúde mental. Após 28 anos finalmente ele arranjara uma namorada séria. O nome da
beldade era incomum : Ariana Galistéia , tida na região como moça culta, refinada e bastante ocupada com o
trabalho. Parecia ter tudo para dar certo aquele relacionamento. Até a família desconfiada e tradicional aprovou a jovem pois
no primeiro jantar em família , a moça deu uma verdadeira aula sobre a badalada noite com seus restaurantes e vinhos,
este néctar tantas vezes associado à perdição…
O jantar foi um sucesso, muita educação e informação,
apenas uma estranha impressão ficou no ar daquela sala :
estranho a namorada saber tanto sobre a noite, sobre
a alta roda noturna…

Já havia três mágicos meses que ele havia conhecido sua
bela e tudo ia de vento em popa mesmo porque era
começo ; tudo parecia encontros , elogios e muitos
presentes, claro!
Brigas? Só para decidir quem pagaria a conta. Que
maravilha é o amor…
Apenas Fausto queixava-se com a amada o pouco tempo
disponível para ele, este menino prodígio mimado e quase
apaixonado.
Já havia esquecido, o primeiro encontro foi bastante óbvio,
conheceu-a no estacionamento de um shopping. Aquela
coisa de sempre , o pneu do carro - importado - dela furou,
ele foi generoso, a agradecida aceitou a proposta de um
encontro e mais um lindo namoro assim nasceu.
Certo dia, Fausto recebe convite para ministrar uma
palestra numa cidade próxima, palestra sobre sua tese em
andamento : “O controle da mente pelo equilibro
homeostático”. Tentou convidar a namorada, mas ela não
era tão disponível e passiva como ele queria e mais uma
vez disse que estaria fora e muito ocupada naquele fim de
semana com seu novo trabalho de divulgação…
Fausto então viaja sozinho para uma cidade próxima a fim
de realizar a tal palestra no dia seguinte. Hospeda-se num
luxuoso Flat já reservado antecipadamente. Ao cair da
noite, sentiu-se só e inseguro naquele amplo e luxuoso
quarto. Além do mais, muito apegado à família, era a
primeira vez que abandonava sua cidade natal.
O tal do Flat era famoso na região e atendia na maior parte
das vezes grandes executivos. Diziam até existir salas com
cassino e outras tantas jogadas proibidas que a mente de
Fausto não estava preparada para conceber…
Pois bem, muito ansioso e com fome, sem muita idéia para
preencher a noite, foi logo pegando um cardápio na mesa
de centro, mas para seu espanto, viu que o mesmo possuía
outro tipo de iguaria : fotos deliciosas de garotas de
programa ! E mais , com telefone e atendimento em
domicílio. Fast-food ?
Por um instante fechou o livro e começou a pensar na
inusitada situação que se encontrava.
O primeiro impulso sempre é da libido, o desejo de chamar
alguma, claro ! Depois é que vem o conflito, a razão, a auto-
censura, gerando um misto de culpa pelo desejo que
anarquicamente aflora mais uma “sorte” de sugestões
erotizadas para estorvar tudo…
Mas, e o controle ? e a educação tão característica de
Fausto ? Estavam tomando de goleada, xingando o juiz e
ameaçando sair de campo!…
Pensava afoito o pobre coitado: estou sozinho, neste lugar
ninguém me conhece, seria uma loucura um bom
programinha , pena que sou de família , tenho caráter !
pena ? tenho caráter ? E mais, estou namorando agora -
finalmente - com uma moça séria, e isto não é certo, pelo
menos no início…
Seguindo uma seqüência lógica, logo após o conflito veio o
surto e Fausto agora berrava excitado no Flat : dane-se o
certo ou o errado ! Sempre fui o certinho e cá estou
neste conflito louco, logo na primeira chance de sacanagem
que me aparece.
Fausto - humano que é - fraquejou, deixou-se tomar pela
luxúria, pela volúpia, pela lascívia !…
Abriu, mais uma vez, agora rapidamente o “cardápio”,
decidido, folheou-o com água na boca, sentindo-se vivo e
livre como nunca. Sentiu ter o poder nas mãos para decidir
o seu destino. Agora seria só escolher e ligar.
Folha vai, folha vem …de repente uma quebra , sinestesia,
susto, pânico, taquicardia, frenesi!
Fausto não crê, lá estava ela, coincidência fatal, Ariana
Galistéia a séria, a refinada…Sim ! Pois não era qualquer
uma não, era prostituta ; mas de luxo !
Com a alma cindida e enfurecida, Fausto cegou, seu sangue
ferveu, sentiu uma verdadeira erupção de perversidades em
sua mente. Ficou louco, desprovido de razão, desconheceu-
se como nunca!…
Afinal, quem traiu quem? A namorada mentiu, ou apenas
omitiu informações sobre seu ganha-pão ? Fausto : por que
desejar logo uma garota de programa? E ainda em início de
namoro. Circunstâncias ? Castigo?
Divagações à parte, a estória continua…
Tragicômico e hilário momento. Fausto tomado pelo ódio e
querendo vingar-se, liga imediatamente e contrata a
própria namorada para o “programa”. Que situação…
A cena lembra ( além de inúmeras estórias de crimes
passionais , é obvio ) um comentário que certa vez ouvi de
um psicanalista famoso :
“O sexo para ser quente mesmo, não deve haver apenas
romantismo, deve haver sim uma certa dose de
agressividade, agressividade esta que todos temos…”

Marcelo Steponkevicius ( 08 de 2006 )

MÍSTICA MIOPIA

Postado em poemas às Fevereiro 10, 2007 por Fabio R.

 Por MSTEPONMisticismo agora é moda,
Num só tempo doença e cura,
Enganadora melodia d’uma sereia sobrenatural.

Oh ! Que grande miscelânia mística!…

Fusionando o vulgar e o sagrado,
Fazendo, num reino encantado qualquer,
Tudo poder o imaginário…

Oh ! Que linda magia !….

È como se a mente não mentisse,

não tendesse, desesperadamente, ao infinito.

Pena que, quando tudo parece possível
A tal realidade, mesmo desacreditada ,
Tal qual fênix
Tarda mas não falha,
E, renascendo das cinzas dos alienados,
vem trazendo com ela ;
- para desespero dos ingênuos -
Nossa velha conhecida ; ou não…

A DESILUSÃO…

Postado em Uncategorized às Maio 15, 2006 por Fabio R.



Eis aqui os responsáveis pela criação deste “Blog”.
À esquerda e com chapéu :

Eu Marcelo Stepon

(criação e seleção de textos, imagens e afins ).

À direita, meu primo - Fabio - ( layout e idéias


PROLEGÔMENOS OU APENAS UM AVISO IMPORTANTE :

ESTE É UM ESPAÇO PRETENSAMENTE CRÍTICO -

POÉTICO ;

ESTÁ ABERTO A TODOS E EM MOTO PERPÉTUO.

EDITORIAL : Caros amigos antigos, atuais e futuros,

Fico feliz por saber que resistimos com luta,

emoção e mesmo alegria e prazer para não sermos meros

marionetese/ou passageiros confinados e conformados

com um mundo cada vez mais caduco e repleto de

hipocrisias, informações distorcidas e/ou falsificadas ( vide

mídia em geral) e/ou o excesso de besteirol fácil e estéril.

Somos - felizmente- muito mais do que este estado de
coisas!!!

Um brinde à vida ativa, sincera e crítica e por vezes alegre ;

voltada para a construção de relações ao menos mais

honestas e saudáveis para todos nós.

Seres sub-reptícios de todo o
mundo : uni-vos!!!

Pois, como já foi dito ( e comprovado pela ciência) : “Quem
resiste desenvolve a espécie!!!” (rs)

Um grande abraço para todos,

Marcelo Steponkevicius ( mstepon@ig.com.br )

PARTE I : POIESIS & LIRAS ( POESIAS ESCOLHIDAS - PARA A ALMA DESTE BLOG )

MÃOS DADAS

NÃO SEREI O POETA DE UM MUNDO CADUCO.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considere a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.

Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.

Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens

presentes, a vida presente.

Poema do livro “Sentimento do Mundo” de nosso poeta-mor

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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EMERGêNCIA

Quem faz um poema abre uma janela.

Respira, tu que estás numa cela abafada,

esse ar que entra por ela.

Por isso é que os poemas têm ritmo

- para que possas, enfim, profundamente respirar.

QUEM FAZ UM POEMA SALVA UM AFOGADO.

MARIO QUINTANA

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MAIS UMA POUCA DE POESIA PARA SALVAR O DIA, PARA SALVAR A VIDA!

HOMENAGEM PARA JULIANO STEPONKEVICIUS

Falando em poesia, na poesia da vida, para quem não sabe meu pai-avôi foi também poeta nesta vida.Foi também quem me incentivou a desenhar , escrever, e aguçou minha criatividade e interesse por tantas coisas. Neste Blog, em tudo o que crio de bom, há muito dele.Ofereço a todos este poema publicado na coletânea de poemas “Eu, você e a noite” e que guardo com carinho como tantas de minhas melhores lembranças…

O MUNDO ME DEU ESTA LIÇÃO

Grande amor, pobre amor,
Pobre amor, grande amor.
Um amor feliz, outro desprezado ;
Amor é sempre contrabalanceado.

Buscamos então luxo e riqueza
Mas, com luxo e beleza,
Algo também pode faltar:
Amor sincero em primeiro lugar.

Todo amor é sagrado,
É preciso estimar.
Sol nasce também para todos,
Não precisa procurar.

Não é por prazer choramos,
Não é por gosto que sofremos,
Não é por vaidade que amamos,
Não é por desprezo que morremos.

Quando os jovens amam,
Sentem-se no paraíso.
Se temos corpo e alma,
Deus também nos deu juízo.

Fator principal é ser inteligente,
Criado por Deus este vivente.
Deus é luz, Deus é sabedoria,
Deus é amor, Deus é harmonia.

Por JULIANO STEPONKEVICIUS

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Divido agora com vocês algumas POESIAS MINHAS com um
caráter mais profundo ( ao menos na intenção) ; surgidos -
quicá - de uma “suposta profundidade do ser ” como diria
nosso grande poeta e inspirador Ferreira Gullar.


CAMPONÊS

Sol a sol um corpo estraga,
Folha seca a se quebrar.
Queima ao sol um rosto árido, anônimo,
Suspiro ávido que não ecoa…

Roupa velha, enxada e chapéu,
Só trabalho e sofrimento,
Fere a terra, fere a alma,
Mais um corpo de aluguel

CRISE EXISTENCIAL

Pesado é sentir,
Pesar na consciência,
Toda falta de consistência.

Sofrimentos dispersos,
Excessos mal distribuídos,
Potenciais imersos…

Tudo então parece reverso,
Como um grande universo…
Caótico e ao avesso.

AMIGO ( dedicado a um antigo amigo)

Conheci você, menino de sonhos tão lindos.
Reconheci, toda sua sensibilidade.
E não te confessar isto antes,
Fez parte de meus enganos…

Conheci você, espontâneo e saudável.
Reconheci, teu amor pela vida.
Assim como tua dor ressentida,
Por habitar em um mundo tão frio.

Posto que tarde, desarmado confesso :
Tenho como ideal tua pureza,
E sinceramente desejo,
Ver a beleza de teu ser,
Triunfar sobre tudo o que é vulgar.

Eis agora algumas poesias descobertas recentemente ;
feitas sob efeito de alquimias diversas e coletadas
precariamente em finais de folhas de caderno pelos confins
do campus da USP e/ou pelos ônibus negreiros na volta da
faculdade para a zona leste de São Paulo.

SEM TÍTULO

Saia branca o véu de noiva,
Lançando perfume vem a trombeteira,
Avisando que houve viagem frontal…

Moderex com haxixe,
O preto velho, o velho… chá de cogumelo…

Vá saber do LSD !…
Vá mesclar a mescalina,
Delirar com chá de lírio,
Retorcer com sua heroína !…

SEM TÍTULO

Me interesso por algumas pessoas *
Algumas pessoas se interessam por mais…* (?idem?)

Tenho que descer do ônibus,
Tenho que sair da fila.
Acho que caí na armadilha
De não existir direito…

Assim fica difícil,
Tudo é compromisso,
Nada é compreensão!…

Assim fica bem triste.
Tem gente que desiste,
Tem gente que insiste,
Mas a maioria só assiste!….

* Post Scriptum: a colocação pronominal está incorreta mas,
em certos estados de consciência as regras da gramática
(e etc) não fazem o menor sentido… (rs)

POEMAS EROTIZADOS… VIVA ÁVIDA VIDA ( DELíCIA! )

Na loucura dos acasos inspirados,
Conheci você e estou muito grato,
à mulher, a Deus ou ao diabo ?

Nossas carências contidas,
Desejos, segredos e malícias,
Desperta, mexe, instiga.

Sua erotizante manha,
Olhar, pele, boca,
Tudo me assanha!!!

Nossos corpos rentes,
Química que convida,
Encanto de mil serpentes.

Entregamo-nos sem vaidade,
A melhor das entregas,
A entrega da vontade.

Quiçá mágicos instantes,
Incontidos instintos,
Eros de bacantes…

Aflição desmedida,
Colorido torpor,
Volúpia ensandecida.

Valeu esperar o momento,
O beijo, o prazer, o fetiche,
A dança…do acasalamento.

Derradeira fantasia aconteceu,
Fez jorrar viva substância,
Que um âmago inquieto proveu.

Sinto você agora
Sinto você ativa
Sinto você em mim,

Viva, ávida, vida.

DE - LÍ - CI - AH !!!…
*************************************************************


MENSAGEM ÀS VADIAS DO GUETO

Como sofrem homens carentes!
Nosso corpo tenso, armado
Suplica massagens e beijos
Deleites…

Pois é muito o recalque do mundo
E é bastante também o desejo
E é tamanho o conflito entre corpo e mente
Que o probo vê-se torto,
Perde o juízo! Desentende-se…

Trepar ! numa árvore frondosa!…
Chupar ! doce fruta do pé…

Só sabemos que…
Vontade à flor da pele
Também sonhamos

Sonhos desses coloridos, delirantes ;
In-voluntárias contrações, molhadas vertigens
E a gente não quer acordar por nada
Muito menos pra trabalhar !

Tudo isso porque

Caras Vadias do gueto :
Descobrimos o segredo !

Caras Boquinhas de veludo :
Sexo para vocês é tudo !

Moeda com que compram a vida
Vida louca que enlouquece os homens…

Saibam que…; e tenham dó!…

Não somos de ferro !
Temos nossos pontos fracos
Que vocês tão bem sabem

Assim sendo,
quem poderá dizer?Arriscar
Com esta vontade toda
E sedução a “mil grau”
Quem poderá nos ajudar?
Onde vamos parar ?


Agora, pergunto para vocês, destes grupos de poesia ,
qual será a que melhor expressa a tal da
transitividade do ser”?

Poesias e questionamentos : Marcelo Steponkevicius

FALANDO DA VIDA…

VIDA E NORTE

Não quero fazer da morte
Tão-somente
Forjada mentira,
Ilusão consorte.

Não quero fazer da vida
Tão-pouco
Estéril semente,
Viagem perdida.

DESAFIO

Sinto que somos enganados,
Pois a vida clama por ser!…
E definitivamente não é
Esta merda-mídia que nos vendem.

Sinto que não suportaremos mais
Na hora sagrada das atitudes
Desesperadamente amortecer
Embotar, adiar o sumo da vida.

O DESAFIO DE HOJE É SENTIR !
O DESAFIO DE HOJE É VIVER !
Tentar, sentir, alguma vida.
**************************************************


DIA DAS MÃES

Apelos humanos ecoam ,

Vagando perdidos,

dispersos Num mundo de indiferença e dor

Transitando pelas ruas notei

Em pleno dia das mães

Algo sintomático e estranho :

Os bares estavam repletos

De gentes tóxicas, envenenedas

Por seu próprio mundo.

Na busca incessante por aceitação

Muitos filhos sós, bêbados,

Falando grosso e mamando…Pinga!

Chorando aos berros frases toscas, desconexas…

Chapados machos amortecidos

Desesperadas mentes atrás de um copo,

Uma garrafa, uma boca , uma chupeta !…

Para suportar os inúteis dias

Que sempre morrem - incompletos.

O ardente líquido encharca o corpo

O enfermo então abafa dilemas

Mal resolvodos nadam contra a corrente :

Concretude tornada insuportável. triste condição humana

Em pleno dia das mães Buscar aconchego, lugar ;

Ainda que No Periférico ralo das ralés,

refúgio sujo e esfumaçado Boteco,

bodega, bar cambaleante buscar

Um estranho ; mas talvez único possível útero…

[12/2/2005 17:09:32 stepon
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Caros amigos,
Eis aí um texto introdutório para quem deseja saber um pouco mais sobre um dos mais geniais artistas de todos os tempos ; nada mais , nada menos que GLAUBER ROCHA!

A ATUALIDADE DE GLAUBER ROCHA E DO CINEMA NOVO
( uma crítica aos críticos de ocasião )
por Marcelo Steponkevicius

Como sabemos, o movimento cinematográfico chamado cinema novo surgiu no Brasil, para convencionarmos um período aproximado, em meados da década de cinqüenta e teve seu maior fluxo de produções na década de sessenta. Caracterizou-se por uma corajosa e engajada proposta ligada à criação de um cinema “descolonizado”, com uma pretensão fundamental, qual seja :a de mostrar nas telas a “verdadeira expressão cultural do Brasil ”, mostrar um Brasil como negação de um espelho distorcido pela alegoria e caricatura das chanchadas e suas variantes, a negação de um Brasil inventado pelos discursos políticos de ocasião que mostravam ( e mostram ainda hoje ) um país do futuro próspero embora mergulhado num presente mísero.Pretendeu colocar nas telas um Brasil rente a sua realidade política, econômica, antropológica...com seus paradoxos e dilemas específicos e ao mesmo tempo tão universais como a miséria material e espiritual presente nos terceiros mundos.

Com o cinema novo, uma nova e radical estética cinematográfica foi criada. Tal empresa só pôde realizar-se graças a uma postura estética principal : a rejeição aos moldes impostos pela indústria cinematográfica comercial, sobretudo a americana, postura esta forjada dentro de uma relação estreita entre imagens cinematográficas e posições crítico-teóricas dos autores/diretores em questão, posições surgidas de um ânimo de denúncia e comunicação crítica com o Brasil e com o mundo. As diferenças desta nova estética foram sentidas imediatamente; houve o abandono dos estúdios para fazer surgir na berlinda um cenário que tinha como mote a miséria brasileira em suas várias formas, tornando-se mais comum o espaço relacionado ao nordestino e às favelas urbanas.

Glauber Rocha não tardou a despontar como porta-voz do novo cinema, dotado de grande erudição artística , formulou em 1963 um livro-manifesto, Revisão crítica do cinema brasileiro, uma das melhores sínteses ainda hoje a mostrar toda a amplitude e intenção estética presente no cinema novo, uma estética, antes de mais nada consciente de sua função ligada à “arte crítica”.Caso paire em relação a isto alguma dúvida, em 1981 numa de suas últimas e mais lúcidas entrevistas ( desmentindo portanto a suposta suspeita de insanidade mental levantada sobre Glauber em seus últimos anos de vida ) Glauber dirá : “... se você me perguntar , portanto, o que caracterizava teoricamente o cinema novo, eu diria isso: a necessidade de criar uma cultura revolucionária em um país subdesenvolvido...”

É preciso que fique bem claro aos curiosos e críticos de ocasião que ainda hoje não é tarefa fácil analisar toda riqueza e complexidade presente no cinema novo. Só para se ter uma idéia, Tal cinema nutriu-se e refletiu além das disposições pessoais de seus criadores, todos os paradoxos existentes entre a breve efervescência cultural do início da década de 60 e o abortamento desta mesma efervescência após o golpe militar de 64. Não por acaso, Glauber alertava : “ Tudo o que se diz hoje sobre o cinema novo provém de concepções deficientes, porque não conseguem integrar esta dialética de um movimento cultural criador no interior de um processo ditatorial ”.

Em relação à produção cinematográfica brasileira no pós-guerra, podemos perceber que após o esgotamento das chanchadas, o cinema brasileiro encontrava-se abandonado, ou no mínimo acuado devido à invasão cada vez mais freqüente da indústria cinematográfica internacional. O fato era tão grave que um de nossos maiores estudiosos do cinema brasileiro, Paulo Emílio Sales, fará uma observação importantíssima em célebre artigo do início da década de 60 : “A razoável continuidade do filme brasileiro de enredo durante os últimos anos pode levar o observador superficial à conclusão de que existe uma indústria cinematográfica funcionando normalmente em nosso país.Tal não acontece. Os interesses do comércio cinematográfico nacional giram em torno do cinema importado, prosseguindo o mercado atual saturado pelo produto estrangeiro.São obrigados nossos filmes a enfrentar o desinteresse e conseqüente má vontade do comércio, conseguindo exibição graças apenas ao amparo legal.”

Podemos observar então que justamente deste momento cultural adverso para o cinema brasileiro e para a sociedade brasileira como um todo, surgirá a força e a resistência crítica do grupo do cinema novo e de Glauber Rocha, sem dúvida seu maior expoente. Assim sendo, temos que a própria condição de abandono e marginalidade em que o cinema brasileiro se encontrava transformou-se em seu principal mote, ou seja, da condição de opressão cultural surgiu a condição legítima da opção por uma negação consciente de todo e qualquer colonialismo cultural, opção esta que deu ao cinema novo razão de ser especial dentro do universo da sétima arte. A este respeito, Glauber observa : “Se o cinema comercial é a tradição, o cinema de autor é a revolução...Dizer que um autor é reacionário, é a mesma coisa que caracterizá-lo como diretor do cinema comercial...O autor é o maior responsável pela verdade : de sua estética, sua mise en scène é uma política”. Donde a necessidade de rejeitar os refletores gongorizantes, a maquiagem, as cenografias de papelão : o autor precisa apenas de um operador, uma câmera, alguma película e o indispensável para o laboratório – equipe mínima. O resto é liberdade e mise en scène. Só assim o autor pode livrar-se das convenções e encontrar a realidade numa visão livre, anticonformista, rebelde, violenta, insolente. Aprender cinema é aprender a realidade : o cinema não é instrumento, o cinema é uma ontologia”.

A proposta descolonizante no ( do ) cinema novo jamais deve ser encarada como mera aventura rebelde de jovens diretores, e sim como um ideal tornado prática, uma prática cinematográfica voltada eficazmente para um processo de descolonização, uma tentativa de discutir nas telas não só a miséria pela miséria, mas pôr em questão a inexistência de um projeto nacional crítico e autônomo, uma proposta tão lúcida e ousada que inclusive pretendeu retomar e atualizar o espírito modernista de 22, embora nem sempre esta linguagem fosse de fácil assimilação por parte da população, por motivos que conhecemos de perto : miséria material gerando miséria espiritual...Além disso, não podemos perder de vista o fato de que quando o cinema novo denuncia o Brasil colonizado, humilhado e miserável, denuncia na verdade metaforicamente toda América latina, a Ásia, a África, enfim, toda a tragédia dos terceiros mundos que o capital gerou em seu desenvolvimento combinado e desigual.

Como não poderia deixar de ser no mundo da arte e da cultura, várias influências artísticas concomitantemente agiram sobre o cinema novo, mais especificamente a do cinema europeu pós-guerra, mesmo porque se analisarmos do ponto de vista político-sócio-econômico, observaremos uma Europa dependente e subjugada em relação aos Estados Unidos, gerando para grande parte dos países Europeus uma condição de inferioridade político-econômica de que terá reflexos na produção artístico-cultural européia que passará a apresentar então uma “estética do subjugado” tal como acorreu com o cinema novo, guardadas as devidas especificidades. Por isso alguns críticos observam a existência não de apenas um cinema novo, mas vários cinemas novos rondando a Europa do pós-guerra e a América do sul.

A produção cinematográfica européia refletiu-se num estilo de cinema realista e crítico comumente denominado neo-realismo ou, mais especificamente na França o nouvelle vague, com expoentes como : Truffant, Resnais, ou Godard ( amigo pessoal de Glauber ). No caso do neo-realismo italiano, autores de relevância como Visconti, Antonioni, De Sica, Pasolini, Fellini e Rosselline, este último considerado o pai do neo realismo.

Tanto no caso do cinema novo como no caso do cinema Europeu, a antítese em relação aos filmes de Hollywood foi uma constante, um ponto em comum, uma questão de honra ! Não por acaso Glauber enfatizava : “o que jamais aceitaremos de Hollywood é sua ideologia colonialista com relação aos índios, aos negros e aos povos subdesenvolvidos...”

Considera-se como um dos primeiros marcos do Cinema Novo o filme Rio 40 graus, realizado em 1954 por Nelson Pereira dos Santos.O filme pela primeira vez mostrou na tela a realidade das favelas, as imagens do subdesenvolvimento no Brasil.Também é de fundamental importância o filme Vidas secas de 1965. Outros filmes também causaram grande impacto,como exemplo podemos citar São Paulo S. A. de Luis Sérgio Person, filme que denuncia entre outras coisas a exploração colonialista e os conchavos entre a burguesia industrial nacional e estrangeira em nosso país. É do mesmo autor o filme O caso dos irmãos Naves, que aborda com primor as torturas e a truculência do DIP durante a ditadura Vargas tendo como exemplo um real e trágico caso jurídico mal resolvido. Temos também Os fuzis de Ruy Guerra em que podemos ver em pleno sertão nordestino ( pano de fundo muito presente no cinema novo como “palco real” das desigualdades sociais e da miséria) o clima de tensão marcado por um povo passivo e sem mobilização para lutar contra as próprias condições de sua miséria. Podemos citar também Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade, filme que apesar de ser produzido em 72, podemos incluir como cinema novo, uma vez que conserva uma proposta estética de crítica e desmistificação, no caso específico, desmistificação da historiografia oficial relacionada à inconfidência Mineira. Estão presentes ainda no cinema novo autores como Leon Hirzman, Carlos (cacá ) Diegues, Walter Lima Júnior entre outros.

Como podemos perceber, a safra do cinema novo foi farta e seus frutos ainda estão frescos, alimentando ainda hoje os espíritos críticos de plantão. Apesar disso, ainda hoje faz-se necessário alertar que, apesar de ter havido uma certa “ sintonia estética” entre o grupo do cinema novo, tal grupo não se tratava de um movimento homogêneo, e sim de uma forma de fazer cinema em que, como bem disse Cacá Diegues : “as expressões são e têm de ser necessariamente pessoais, porque fruto de experiências inéditas e inventivas”. Tais circunstâncias trouxeram ainda mais riqueza e diversidade ao cinema novo.

Os autores supra citados e ainda outros não abordados, não podem ser analisados pela lente da imobilidade e do reducionismo da mídia e dos críticos de ocasião que, vez por outra apresentam tais autores apenas como “ meros expoentes de um tipo de cinema- datado e ultrapassado- chamado cinema novo”, mesmo porque podemos dizer, e sem exagero algum, que muitos deles figuram entre os melhores cineastas de todos os tempos, uma vez que realizaram um cinema verdadeiro, ao mesmo tempo original e crítico, e inclusive ao contrário do que muitos podem pensar, com apuro técnico para a época.

O CASO GLAUBER ROCHA

Glauber Rocha, dentro ou fora do cinema novo, sempre será um capítulo à parte. Figura entre os autores mais expressivos e polêmicos da história do cinema. Buscava refletir em seus filmes a cultura brasileira vista como uma cultura heterogênea, subdesenvolvida, colonizada e histérica, sem uma identidade verdadeiramente construída, fato que terá como conseqüência a formação de um tipo de população tão exótica como miserável, uma população alienada e incapaz de estabelecer as mediações necessárias para o entendimento de sua própria condição, uma população ingênua, que geralmente se torna presa fácil frente aos discursos políticos, religiosos,etc, uma população que se submete constantemente ora à dominação de líderes carismáticos, populistas e patriarcais ( vide Terra em transe ), ora à dominação alegóricos beatos, padres, etc, vistos como pais redentores, verdadeiras figuras carismáticas que agem num espaço marcado pela situação-limite da miséria regionalizada ( daí a constância do sertão como pano de fundo), funcionando tais “salvadores “como verdadeiros catalisadores do desespero e das crendices populares ( vide Deus e o diabo na terra do sol ). Glauber denuncia com sensibilidade e coragem a passividade de um povo sem identidade, desorientado, em transe, um povo que aparece com genialidade na fala do personagem Paulo Martins em Terra em Transe. Paulo, o poeta intelectual presente no palácio do governo, ao observar o histerismo popular, não hesita em constatar desiludido : “O povo sai atrás do primeiro que acene com uma espada ou uma cruz.”

Portanto, podemos perceber que Glauber fora e dentro de seus filmes age como um iconoclasta, não deixa pedra sobre pedra, por trás da crítica ao povo, há a critica tanto em relação à exploração das potências capitalistas e suas facções no Brasil, como inclusive em relação à fragilidade das facções de esquerda e da intelectualidade sem um projeto político autônomo ( vide Terra em transe ) guiando-se geralmente apenas por “deformações teóricas”, fruto, segundo Glauber, da má aplicação de modelos teóricos importados que idealizavam os agentes históricos e a própria revolução. Graças a mais esta análise de Glauber, tornou-se mais uma vez relevante a discussão de que para haver uma revolução verdadeiramente eficaz no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, esta deve estar ancorada também em bases culturais específicas.

“(...) aquele proletariado formalizado, idealizado pelo realismo socialista e pela má interpretação do marxismo/leninismo no Brasil e pelas clássicas deformações do partido comunista, não era o povo de verdade. Nós nos recusamos a idealizar o proletariado : é a massa marginalizada que representa o câncer inconsciente do Brasil e é sobre os marginais que o Cinema Novo desceu.”

( Glauber Rocha, entrevista à Raquel Gerber em fevereiro de 1973 em Roma, Itália ).

Ao tentarmos fazer uma leitura da obra de Glauber, quando mais nos aprofundamos, mais nos deparamos com a existência de uma totalidade extremamente complexa, mesmo porque ele utiliza uma abordagem em seus filmes (denotativamente ou metaforicamente) repleta de questionamentos e “desconstruções “ que questionam a origem da colonização brasileira, passando pelas conseqüências de nossas heranças culturais, nossa incapacidade de elaborar um pensamento crítico satisfatório em relação aos nossos problemas sociais, os mecanismos de poder e dominação aplicados ao Brasil e ao terceiro mundo, e assim por diante. Glauber parece por vezes utilizar-se do que parece haver de melhor nas análises filosóficas marxistas : o conhecimento como totalidade, a análise dialética da história e por fim “ a crítica implacável de tudo o que existe”. Glauber portanto parece trabalhar com esferas de conhecimento específicas mas integradas ( a sociologia, a psicologia, a antropologia, etc ) esfears estas que se completam numa totalidade, numa síntese crítica.

É interessante observarmos que apesar de toda esta complexidade presente em suas obras, Glauber não quis apenas fazer cinema para uma elite, nutria também um desejo sincero de contribuir para um processo de conscientização popular por meio de seus filmes e idéias.

Voltando ao cinema novo como movimento e à questão do subdesenvolvimento em que o mesmo está inserido, como já foi dito, os autores parecem ter conseguido o extraordinário feito de transformar em mote sua própria carência de incentivos e recursos materiais, não aceitando a humilhante condição de passividade frente à imposição do subdesenvolvimento material e espiritual, questionando tais condições a partir de seu próprio epicentro. No caso de Glauber, sua postura de denúncia frente ao subdesenvolvimento, gerou um tipo de estética particular em relação à abordagem da realidade do terceiro mundo, estética esta que será classificada pelo próprio Glauber como uma “ estética da violência”, única condição de luta e de superação em relação às violências e humilhações por que passam os desprovidos do terceiro mundo, a violência da luta de classes no Brasil , a violência da concentração de renda, do coronelismo, do populismo, do colonialismo, em suma, a violência dos dominantes contra os dominados, a violência tão presente em nossa barbárie contemporânea.
.

“Uma estética da violência, antes de primitiva, é revolucionária...somente conscientizando-se de sua possibilidade única , a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora.”

( Glauber Rocha - A estética da violência )

Dentro deste prisma, começamos a entender melhor o cinema descolonizante do cinema novo e o de Glauber que parece criar uma arte movida por um “ideal revolucionário” que sempre esteve presente em Glauber : a idéia de libertação nacional pela construção de uma nova e verdadeira cultura nacional, uma cultura descolonizada. Em meio a este ideal parece habitar vários espíritos libertários, desde o dos comunistas do século XIX, passando por Freud, Marx, Sartre, encontrando Castro Alves, Darci Ribeiro ou o incansável Che Guevara, encontros de vários espíritos críticos num trânsito intenso e alucinado na mente de Glauber, vulcão e fonte de inventivas e infinitas formulações e reformulações estéticas.

Portanto, no bojo da produção cultural de Glauber e do cinema novo, seguem questões fundamentais como por exemplo a da inexistência ( ainda hoje ) de uma identidade cultural verdadeiramente consolidada em nosso país. Por isso mesmo, no mínimo temos que considerar que o cinema novo tocou na ferida cada vez mais aberta e supurada da miséria e do subdesenvolvimento material e espiritual a que estamos cada vez mais expostos. Devemos todos então ao menos analisar o cinema brasileiro em questão com atenção e respeito, observando bem as posições, afirmações e as negações que estavam e que estão em jogo. Em relação a um tipo de crítica madura que deve ser feita ao cinema nacional, já temos aqui mesmo nossos maiores especialistas : O próprio Glauber Rocha, Jean-Claude Bernardet , Ismail Xavier ou o mestre Paulo Emilio Sales com suas análises providenciais acerca das complexas mediações que envolvem o cinema nacional, o cinema novo e sua compreensão e incompreensão por parte do público brasileiro. Pouco importa os críticos de ocasião que habitam a mídia a em geral que hoje em dia parece estar contaminada com a doença burguesa de abominar qualquer arte engajada apenas porque o realismo crítico não está muito na moda para os passivos apolíticos que infelizmente multiplicam-se por nossos veículos de comunicação. Justamente por isso, cada vez mais parece oportuno repetir o apelo que Glauber fez em A idade da terra : ACORDA HUMANIDADE !!!

Caso não tenha ficado claro o que Glauber Rocha e o cinema novo enquanto manifestação artística tem a ver com todo o estado de coisas abordado, vai aí uma bela dica :

“A deterioração da conjuntura estimulante dos inícios de setenta fez com que o público intelectual que corresponde hoje ao daquele tempo se encontre órfão de cinema brasileiro e voltado inteiramente para o estrangeiro onde julga às vezes descobrir alimento para sua inconfidência cultural. Na realidade ele encontra apenas uma compensação falaciosa, uma diversão que o impede de assumir a frustração, primeiro passo para ultrapassá-la. Rejeitando uma mediocridade com a qual possui vínculos profundos, em favor de uma qualidade importada das metrópoles com as quais tem pouco o que ver; este público exala uma passividade que é a própria negação da independência que aspira. Dar as costas ao cinema brasileiro é uma forma de cansaço diante da problemática do ocupado [ colonizado ] e indica um caminho de reinstalação na ótica do ocupante [ colonizador ]. A esterilidade do conforto intelectual e artístico que o filme estrangeiro pródiga faz da parcela do público que nos interessa uma aristocracia do nada, uma entidade em suma muito mais subdesenvolvida do que o cinema brasileiro que deserdou.
…este setor de expectadores não encontrará em seu corpo músculos para sair da passividade, assim como o cinema brasileiro não possui força própria para escapar ao subdesenvolvimento. Ambos dependem da reanimação sem milagre da vida brasileira e se encontrarão no processo cultural que daí nascerá.”

( Paulo Emilio Sales )

MÚSICA : ARTE, FANTASIA E ENERGIA PARA A VIDA!…

Para mim, música é como se fosse uma religião em que
busco (e encontro) alimento ( ou mesmo alívio) para minha
mente e meu espiríto. Energia artística para nossa vida.
Tenho o prazer de dividir com vocês algumas letras da
gloriosa MPB com as quais me identifico bastante.
Poesia, crítica e sensibilidade coexistindo…
Queria eu compor como estes artistas…
Vide mais belas músicas da MPB no link “cultura
nacional…”

Um abraço em especial para Sérgio Ricardo ( o mestre ).

Visitem a Página (site oficial) de Sérgio Ricardo (vide link à
direita logo no início do Blog )

Muito mais do que simplesmente “aquele que quebrou o
violão no festival da Record ”, Sérgio é um múltiplo artista.
Cineasta, cantor , compositor , instrumentista, artista
plástico, escritor e por aí vai…Ser humano da melhor
qualidade.

Obs.: caso haja interesse, clique no link “cultura nacional
&/ou criações de amigos” ( início do Blog à direita - parte
azul ) e confiram algumas letras, biografias, bem como
trecho da conversa entre eu ( admirador) e este grande
artista que é Sérgio Ricardo. Confiram!!!

Voltemos às letras…

PONTO DE PARTIDA (Sérgio Ricardo)*

Não tenho para a cabeça
Somente o verso brejeiro
Rimo no chão da senzala
Quilombo com cativeiro

Não tenho para o coração
Somente o ar da montanha
Tenho a planície espinheira
Com mão de sangue e façanha

Não tenho para o ouvido
Somente o rumor do vento
Tenho gemidos e preces
Rompantes e contratempos

Tenho para minha vida
A busca como medida
O encontro como chegada
E como ponto de partida

Não tenho para o meu olho
Apenas o sol nascente
Tenho a mim mesmo no espelho
Dos olhos de toda a gente

Não tenho para meu nariz
Somente incenso ou aroma
Tenho este mundo matadouro
De peixe, boi, ave e homem

Não tenho para minha boca
Sagrados pães tão somente
Tenho vogais, consoantes
Uma palavra entre dentes

Tenho para minha vida
A busca como medida
O encontro como chegada
E como ponto de partida

Não tenho para meu braço
Apenas o corpo amado
E assim sendo o descruzo
Na rédea, no remo e no fardo

Não tenho para a minha mão
Somente acenos e palmas
Tenho gatilhos e tambores
Teclados, cordas e calos

Não tenho para meu pé
Somente o rumo traçado
Tenho o improviso no passo
E caminho para todo lado

Tenho para minha vida
A busca como medida
O encontro como chegada
E como ponto de partida

*PS : Escrevi esta obra de arte na parede de meu quarto.
Haja identificação!…

FILOSOFIA (Noel Rosa / André Filho)

O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.

Mas a filosofia
Hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Para ninguém zombar de mim.

Não me incomodo
Que você me diga
Que a sociedade
É minha inimiga.
Hoje cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba
Muito embora vagabundo.

Quanto a você
Da aristocracia
Que tem dinheiro
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava desta gente
Que cultiva hipocrisia.

AVE CORAÇÃO (Fagner)

Eu sei que existe por ai
Uma andorinha solta
Procurando um verão que se perdeu no tempo
Cansou de ser herói do espaço
E quer a companhia de outros pássaros
É que o seu coração de ave
Não aguenta tanta solidão.

Eu sei que eu ando por ai
Sou andorinha solta
E nem sei a estação em que estou vivendo
Não quero ser herói de nada
Só quero a companhia de outros braços
É que o meu coração de homem
Voa alto como um pássaro.

PIANO E VIOLA (Taiguara)

Olhando o dia de chuva
Vi que mais triste era eu
Que sem estrela e sem lua
Te procurava no céu

Fiz do piano a viola
Fiz de mim mesmo o amigo
Fiz da verdade uma história
Fiz do meu som meu abrigo

Quem canta fala consigo
Quem faz o amor nunca quer ferir
Quem não fere vive tranqüilo
Vê muita gente sorrir

E quem não tiver do seu lado
A quem ama e quer ver feliz
Não diga que não se importa
Diga só o que o amor lhe diz

Essa mentira é uma espuma
Que se desmancha no ar
E deixa n’água um espelho
Para você se ver chorar

Sorriso bom só de dentro
Ninguém é bom sendo o que não é
Eu, pra ser feliz com mentira
Melhor que eu chore com fé.

>Caros amigos , confesso que Gilberto Gil foi quem me fez primeiro sentir e
ver o bem e a energia que é a música . Anos mais tarde , descobri muitas
outras coisas….

Gilberto Gil ( Um Mestre…)

Refazenda contínua : por uma questão de (des ) ordem

Em 1965, Gilberto Gil lança o compacto simples “Roda / procissão”e –
felizmente –
Aborta uma iniciante carreira de advogado para dar à luz toda sua
genialidade, sua rica musicalidade.
Lá por volta de 66/67 foi, como sabemos, um dos líderes da tropicália que
tentou entre outras coisas retomar a autofágica e tão importante “Semana de
22” na música. Até aí tudo bem , por si só já seria história, mas…

A questão é que menos de ano depois ( em 1968 ) ao invés de conformar-se ,
Gil resolveu experimentar ir para além da tropicália e , entre outras
coisas, grava a música “Questão de ordem”. Resultado : vanguarda total ,
experimentalismo musical de tal ordem que parece ( se é que podemos supor)
uma ponte artística-sonora inacreditável entre a tropicália, e o festival
acidental de Woodstock , além do encontro com os ritmos africanos. Como se a
estética musical pós-moderna autofágica tropicalista encontrasse os
atabaques originais, além da psicodelia intuitiva e vanguardista de um
Hendrix com seus solos alucinantes e seus sonhos de experimentar e
questionar e colorir o mundo convencional , o mundo normal ( ou seja repleto
de normas e leis paralizantes ).

Mais uma vez Gil surpreendeu e sintonizou-se com o que de mais vanguardista
existia no mundo musical.Em sua busca de sonoridades e liberdades musicais e
humanas em última instância, conseguiu compor nada menos que uma espécie de
“incógnita musical iconoclástica” , ou seja, a música “Questão de ordem” que
, curiosamente foi apresentada por Gil no III Festival da Canção de 1968.

Imaginem a cena , os jurados , após a música, ficaram “atonalizados”e ,
numa reação muito comum de auto-defesa, sem saber com o que estavam lidando
, sem saber como julgar a “estranha música”, acabaram por desclassificá-la.

Dizem que nesta ocasião do festival, que Caetano Veloso faz o providencial
comentário ( referindo-se aos jurados ) : “o Gil fundiu a cuca de vocês!…”
Gilberto Gil é assim , um gênio surpreendente e sensível e, como todo gênio,
sempre com um pé nas vanguardas e outro na ( também tão importante)
tradição clássica.

Observem: em 67 lidera a Tropicália , em 68 grava a revolucionária
“Questão de Ordem” e em 69 lança com Caetano o disco e o polêmico espetáculo
ao vivo “Barra 69” que rendeu a censura militar e o exílio de Caetano e Gil
em Londres ( vide foto ). E tudo isso é só o início da criativa carreira de
Gil…

Um ser musical , internacionalista supra conceitual, advogando em nome do
amor à música, do amor à arte , em none da criação ; criação que está na
alma dos homens , na
Alma dos gênios, na alma de Gilberto Gil.

Obs.: Trata-se de uma baita experiência ouvirmos “Questão de ordem”. A
música nunca saiu em LP, apenas num compacto simples, mas está disponível no
LP sobre Gil da “ Nova coleção da música popular brasileira” perdido nos
sebos de discos da cidade, ou , quem sabe, se tivermos sorte, em alguns
arquivos da Net.

Marcelo Stepon

[12/2/2005 17:00:18 stepon

VAMOS FALAR SOBRE ATUALIDADES ?

O GOVERNO LULA E OS PARADOXOS DA POLÍTICA

Em primeiro lugar , para que não reste dúvida após a leitura
do texto, declaro que votei no Lula, porém, sem muita
excitação confesso, mesmo porque sou cabra macho e não
me excito com homem algum, mesmo que, creio eu , o Mick
Jagger me abrace por trás e morda meu pescoço com sua
deliciosa boca…

Comos sabemos, temos uma forte e presente tradição
colonialista-cristã que se apossou de nossa cultura a tal
ponto que muitas vezes passamos a raciocinar, mesmo que
inconscientemente , dentro de uma ” lógica da esperança”
quase que religiosa. Neste caso o Lula e seus blue caps do
PT teriam um plano secreto para o povo e contra os
poderosos , mas no momento não poderia revelá-lo aos
ansiosos fiéis que votaram nele. E mais,, parte dos
poderosos estariam apoiando o Lula, cochilando, e seus
cachimbos caindo… Simples não? Alguma coisa está errada
neste conto de fadas chamado ” esperança no governo
Lula”, e, pior , não sabemos se a estrelinha vai brilhar ou
ofuscar nossa vista.

Em relação à América Latina , com a heróica exceção de
Cuba, a metrópole sempre deu as cartas , cabendo à
colônia acatar e no máximo torcer passivamente por
medidas mais justas, ter fé num certo sentido, fé e
esperança n´alguma boa intenção dos governantes que
dirigem e legislam em nosso nome , já que pelo voto ,
delegamos a eles esta nobre tarefa em prol de um
imaginário ” pacto social” ..Falando em pacto social, Lembrei-
me de Hobbies, sei que o Lula é mais bonzinho e não é
enviado por Deus, mas tenho uma forte intuição que o PT
está acalmando mas obviamente não matou o Leviatã
capital, nascido e criado pelas metrópoles, pelo primeiro
mundo.

Para mim, a questão de se confiar num governo, seja lá
qual for, remete-se à velha questão da representação, de
votar e passivamente delegar o poder da decisão para o
governante , tal como assinanar um cheque em branco e
torcer para o governante preencher corretamente durante
seu governo contra todos os complexos estratagemas da
classe dominante. Ou esquecemos que vigiando o
governo ,Lula há ainda uma truculenta e organizada classe
dominante?

Talvez por esta delegação passiva de poder para os
governantes aliado à metrópole ainda dando as cartas ,
Paulo Arantes tenha chamado o voto de mero ” ritual
obsoleto”.

Pois bem, votamos no Lulinha do povo, mas ele é governo
agora e tem a seu dispor uma gigantesca máquina viciada,
com quadros diretos e indiretos representantes dos mais
variados interesses de classe , ou alguém é tão ingênuo ao
ponto de achar que o povo está no poder só porque há um
presidente simpático em relação ao mesmo.

Para o governante no poder não entra boa intenção ou
sensibilidade, estas coisas estão em outras esferas (arte,
literatura…); estão em vários lugares, mas certamente não
na esfera política que é feita se puro conflito e estratégia.
Não esqueçamos de O Príncipe de Maquiavel…
O dia-a-dia de todo governo (. e Lula é governo ! ) é assinar
e cumprir acordos e contratos das mais diversas ordens ,e
obviamente cada um deles contém uma estratégia, uma
representação ( interesse) de classe.Os famosos acordos
com o FMI são apenas a ponta do iceberg, a vedete da
mídia , mas a nós mortais passivos que já delegamos o
poder não nos é ” revelado” o conteúdo destes acordos
firmados ; por este simples motivo, o eleitor matuto já
deveria ficar desconfiado, ter sua esperança maculada, mas
parece que a esperança insiste em não morrer, mas acaba
matando outras formas de luta.
Alguém me contou que se trata de uma esperança vaga,
daquelas de quem sabe à noite assistir ao jornal nacional e
ver, no confortável ( ou não) sofá, se o Lulinha fez alguma
coisa de bom naquele dia. Já imaginaram o Che no sofá,assistindo TV e esperando um dia Cuba se libertar?

Outra hipótese pouco considerada e que demole qualquer
sonho de ver a estrela brilhar é que segundo pesquisa
realizada há uns dez anos atrás, se não me engano pela
revista “Isto é” , 70% do congresso e seus poderes
constituídos ( aquele que elabora as leis e controla -
desculpe, tinha que falar vigia apenas) o governo é
empresário ou ligado indiretamente aos interesses e
empresarias, e são eles que dão as cartas, que aprovam ou
não as ” belas intenções ” do PT ; ou alguém está
acreditando que o Lulinha e seus blue caps são tão
engenhosos que farão seu projeto emergir lentamente ?
Será que há algum projeto mais radical ? Eu disse projeto,
não disse aquela cartilha de intenções chamada projeto de
governo que o PT como o PSDB distribuem pouco antes da
eleição.

Outra coisa perversa que parece que esquecemos em
detrimento de nossa vaga esperança, é que não sabemos
se o Lulinha vai ser reeleito e mesmo que seja , o tempo
urge , seu mandato já está se esgotando e o sucessor será
de outro partido , pois na brincadeira burguesa
constitucional de sucessão só vale uma reeleição, lembram?
( organização burguesa às vezes pode estar até meio
debilitada mas não dá ponto sem nó…) Pois bem , no
mundo real com certeza outras forças conservadoras
tomarão o lugar do Lulinha e a desilusão voltará , tão
viva como nossa fé e passividade atual no governo
Lula, mesmo porque a organização dos trabalhadores , sua
conscientização ,estas coisas realmente relevantes para se
mudar e controlar qualquer sociedade, nem mesmo são mais abordadas pelo PT. Por que será que não se fala mais nisso?

“Há duas hipóteses :

1 - Eles se esqueceram pois são muito distraídos.

2- Eles são governo agora.

Para além de uma passiva esperança o que temos ? Não há
esperança no fim do túnel, muito melhor que isso , o MST
por exemplo não está, como nós esperando nada do
Lulinha do povo não caíram na armadilha de esperar seja lá
o que for em relação a seja lá qual o governo, eles estão
agindo , reivindicando, invadindo , lutando por uma vida melhor.
Questão de vida ou morte. E nós, votamos no Lulinha e
estamos ainda com esperanças na estrela que vai brilhar
não se sabe onde, como e nem de que forma. Notaram a
diferença de postura?
Cuidado amigos pois como cita o Abujanra em seu
programa ” provocações” :

” A ESPERANÇA ACABOU COM A AMÉRICA LATINA ! “

por Marcelo Steponkevicius ( início 2004 )

[12/2/2005 16:45:18 stepon


O OUTRO GUARDA UM SEGREDO : O SEGREDO DO QUE EU
SOU. QUE TAL SER APRESENTADO PARA SÍ MESMO? Esta é
uma Homenagem para Roberta ( minha psicóloga ) pelo
seu profissionalismo, atenção, seriedade e sensibilidade.

Sabemos que “nascer é muito comprido” mas creio que
nunca é tarde para lutar e dizer obrigado e desejar uma
sorte de boas novidades para todos nós.

Um grande abraço Roberta.

Marcelo

“O ato de ver apanha não só a aparência da coisa, mas
alguma relação entre nós e essa aparência…
A imagem pode ser retida e depois suscitada pela
reminiscência ou pelo sonho. Com a retentiva começa a
correr aquele processo de co-existência de tempos que
marca a ação da memória : o agora refaz o passado e
convive com ele.

…O nítido ou o esfumaçado, o fiel ou o distorcido da imagem

devem-se menos aos anos passados que à força e à

qualidade dos afetos que secundaram o momento de sua
fixação.

A imagem amada, e a temida, tende a perpetuar-se : vira
ídolo ou tabu. E a sua forma nos ronda como doce ou
pungente absessão.”

O ser e o tempo da poesia in : Imagem, discurso - Alfredo Bosi

……………………………………………………………………………………
PEQUENAS CONFABULAÇÕES ACERCA DE MEU TEMPO…

Em tempos de mídia e realidade virtual e “Big Brother “, em que as pessoas parecem estar sendo filmadas ( vigiadas. condicionadas, cobradas ) o tempo todo, a espontaneidade , a sinceridade ( qualidades vitais para as relações humanas saudáveis ) parece que estão sufocadas, embotadas, e até chegamos algumas vezes ao absurdo tragicômico de muitas vezes fingirmos que somos “super alguma coisa” ou até fingirmos que somos espontâneos para parecermos mais humanos. Que baita dilema!!! ( vide crônica da alegórica advogada - neste blog ). Creio que precisamos lutar para sair deste ciclo vicioso e simplesmente - viver!!! - da maneira mais natural possível, com todas as emoções e imperfeições e riscos e contradições e seja lá o que for da natureza humana.

Para todos nós que precisamos de uma pouca de poesia sincera

POEMA EM LINHA RETA ( FERNANDO PESSOA)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus
conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes
vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,

Indescupavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das
etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e
arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo
ainda;

Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de
fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido
emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;

Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas
ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confesse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma coabrdia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez
foi vil?

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente neste mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra ?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, com superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

……………………………………………………………………………………

MARAVILHAS CONTEMPORÂNEAS…POSTO QUE, ARTIFICIAIS

Caros amigos, observem as insanidades presentes nesta
foto logo abaixo; um recinto de
horrores chiques chamado Shopping.
Começando pelas Palmeiras ( ou planta similar ) retiradas,
deslocadas… de seu local de
origem e fincadas num local fechado, estéril e repleto de luz
artificial.
A escada rolante então, esconde segredos sutilmente
horripilantes. Observem
que ao pé da escada há um rapaz olhando para baixo, pois
caiu numa cilada e
ao subir avistou um calabouço enorme e era tarde demais
para não ser devorado pelas
promoções que custam o olho da cara. Logo acima do
referido rapaz que cairá
no precipicío, há outro que parece ter se safado da cilada
inicial, mas
lembrando que se esqueceu da carteira e, assim sendo, não
poderá gastar , e está
prestes
reparem sua posição - a atirar-se da escada. Logo mais
acima um clérigo (
ou coisa parecida ) todo de branco parece vagando e ao
mesmo sereno em demasia
( decerto não o fantasma da ópera, mas o fantasma do
Shopping ) que não
pode assustar os clientes pois estes encontram-se
letárgicos, alienadamente
consumindo,
alucinadamente, para amenizar suas frustrações diárias e,
finalmente, acima
do fantasma, algum mais esperto e sensível que sacou todo
o lance de terror
mencionado e está tratando desesperadamente - de dar
no pé (rs)


( FAL ) CIDADE

(…) O shopping é uma cidade onde a cidade não entra.
Ou, por outra, é uma cidade sem os problemas da
cidade.Há de tudo em seu interior.Além das lojas, há ruas,
praças, bancos para entar, cinemas e, no caso do
Pátio
de Higienópolis, até teatro, restaurante fino, escola de
astronomia, galeria de arte e pista de Cooper.
Mas o que atrai num shopping, o que fascina é o que ele
não tem. Não há
congestionamentos nem trombadinhas.Não há povo no
shopping.
O preço da assepcia é a mentira.Sim, o shopping é uma
cidade de
mentirinha. A atmosfera climatizada e depurada, o piso de
mármore, o fausto
das lojas…,tudo no shopping conduz à fantasia da cidade
sem miséria.Uma cidade onde a verdade é barrada na
porta. O problema é que esta cidade
idealizada fecha às dez da noite, devolvendo seus
freqüentadores à realidade.E a São Paulo autêntica,
absurdo tornado irreversível, funciona 24
horas por dia.

Fonte : Folha de São Paulo, 18 out. 1999, p.1 -2.

[7/2/2005 01:43:50 stepon
Coca-Cola é isso aí !?

PRIMEIRA POLÊMICA
Caros amigos,
Dizem que o segredo da fórmula ainda não nos foi revelado, vamos tentar revelar então alguns possíveis usos e/ou efeitos desta “água negra do capitalismo”?

Estórias que o povo conta :

Para lavar o banheiro, vire uma lata de COCA-COLA no vaso,

deixe que a bebida repouse por 1 hora, e depois dê descarga.

O ácido cítrico elimina as manchas na porcelana. Para eliminar

manchas de oxidação de decalques nos automóveis, esfregue o

decalque com um pedaço de alumínio (bombril) molhado na

COCA-COLA.

Para limpar a corrosão nos terminais de baterias do automóvel,

vire uma lata de COCA-COLA sobre os terminais para desfazer a

corrosão.

Para afrouxar um parafuso oxidado - aplique ao parafuso um

tecido enxaguado em COCA-COLA por vários minutos.

Para assar um presunto defumado, esvazie uma lata de COCA-

COLA na fôrma, envolva o presunto em papel alumínio e asse-o.

Trinta minutos antes que esteja pronto, retire o alumínio para

que as gotas de COCA-COLA dourem o presunto.

Para tirar a graxa das roupas, esvazie uma lata de COCA-COLA

na roupa gordurosa, adicione detergente para lavar o açúcar e

programe a maquina para um tempo médio. A COCA-COLA

ajudará a remover as manchas de gordura.

A COCA-COLA também ajuda a limpar para-brisa. E isso é o que

bebemos !!!!

Nota: (Para tudo, pode ser usada a mesma quantidade de

Pepsi.) Para sua informação:

O PH de bebidas gasosas, gira em torno de 3,4. Esta acidez é

tão forte que dissolve dentes e ossos. Nosso corpo detém o

crescimento dos ossos na idade de 30 anos. Depois disso,

aproximadamente 8-18% dos ossos se dissolve através da

urina, dependendo da acidez dos alimentos ingeridos. Acidez

não depende do sabor da comida, e sim da relação de potássio,

cálcio, magnésio, fósforo, etc. Todos os compostos de cálcio

dissolvidos se acumulam nas artérias, veias, tecidos da pele e

órgãos. Isso afeta o funcionamento dos rins.

Os refrigerantes não têm qualquer valor nutritivo (vitaminas e

minerais). Têm, isto sim, um conteúdo alto de açúcar, acidez e

outros aditivos, como conservantes e corantes. Algumas pessoas

gostam de refrigerantes gelados depois de comer. Adivinhe qual

o impacto disto? Nosso corpo tem uma temperatura perto dos 37

graus, entre outras coisas para o bom funcionamento das

enzimas digestivas. A temperatura de refrigerantes gelados é

muito menor do que 37 graus - as vezes beira o 0 grau - e isto

reduz a efetividade das enzimas, o que leva o sistema digestivo

a digerir menos comida. De inicio, a sobra de comida fermenta.

Os alimentos fermentados produzem gases e mau-cheiro,

decompõe-se e formam toxinas que são absorvidas pelos

intestinos e circulam no sangue, espalhando-se por todo o

corpo.

O derramamento de toxinas pode provocar varias doenças.

Dióxido de carbono é algo que médico algum recomendaria

como parte da dieta de alguém. Se você fizer uma experiência,

colocando um dente quebrado em uma garrafa de Coca, por

exemplo, em 10 dias o dente se dissolvera. E isto que dentes e

ossos são os únicos elementos do corpo humano que

permanecem intactos depois da morte.

Imagine o que faz um refrigerante no intestino !!!!!!

Os que gostam destas coisas tem o livre arbítrio para continuar

bebendo-as, mas, pelo menos, agora sabem um pouco mais

sobre seus efeitos.

……………………………………………………………………………………

Kids Transando
AOS PEDÓFILOS DE PLANTÃO!

A pedofilia é indício de patologia ( doença) psíquica. Crianças são imaturas psicologicamente e imaturas em relação a sua própria sexualidade. Caso você conheça alguém que espera ou imagina relacionar-se sexualmente com alguma criança ou que possua obsessões sexuais relacionadas com crianças, damos uma séria dica : ACONSELHE-A A PROCURAR UM PSICÓLOGO PARA TRATAR E CONTROLAR ESTE TRANSTORNO.

[7/2/2005 00:58:10 stepon
” Extra: mais uma expressão crítica na periferia de São Paulo”

Observem a riqueza e criatividdade crítica do desenho criado por alunos da 8ª série do primeiro grau. Detalhe: ao lado da bandeira norte americana, está escrito ” Lamentamos pelas vítimas dos atentados no EUA e também pelas vítimas da fome no Brasil”.
Graffiti produzido no muro de uma escola da zona leste da periferia de São Paulo ( Escola pública municipal Marlene Rondelli ) na Av.: Sapopemba - altura do nº5000 ; Vila Guarani. Salve mais esta expressão crítica!

Crônica

Postado em artigos, crônicas às Maio 15, 2006 por Fabio R.

Mané, que nada tinha que ver com Portugal, era bem
brasileiro, desempregado, muito louco, mal amado, sem
rumo definido entretanto, vivendo anestesiado pelos corres
e botecos da periferia.
Sonhando com emprego e mulher, pois para sua
infelicidade ambos os itens - que norteiam um homem -
estavam escassos em sua vida.
Apesar do pouco estudo, tentou subir na vida, mesmo que
desordenadamente; sem muito afinco ou método definido .
Até que passou num concurso público, aliás dois :
carcereiro e auxiliar de necropsia. Estava posta a solução
ou mais um dilema para sua coleção.

Os responsáveis pelos dois referidos concursos logo
enviaram telegramas para seu mocó - aliás, nem seu era
mas dos humildes e esforçados pais - solicitando presença
e documentos para o dia seguinte.

Aquela noite prometia pois no dia seguinte teria de sair a
escolha ; quiçá por falta de conteúdos mais elaborados ,
Mané teve pesadelos óbvios, alternados ; ora
encontrava-se refém dos malacas, amordaçado no
Carandirú , ora cercado numa necrópole em que todos os
necropsiados queriam se vingar do pobre Mané!… Que
baita dilema o cara teria de resolver e ainda por cima seu
inconsciente trazendo estes pesadelos demoníacos para
lhe sabotar a importante escolha.

Por fim, no mês seguinte estava ele hesitante mas
iniciando no IML, afinal o dilema fora resolvido pela
lembrança do velho ditado popular : temos que ter medo é
dos vivos ! O povo realmente sabe das coisas !?

Trabalhando de madrugada, auxiliar de necropsia, vários
corpos para ver, abrir, pesquisar…

Rotina um tanto quanto macabra, mas tudo é questão de se
acostumar. Muita gente morta chegando, saindo, mas sabe
como é, um ambiente meio frio, sem vida…

Vida e morte, dois mundos distintos ou complementares?
Tentamos traçar pontes, resgatar o passado, decifrar
mistérios…Há morte em vida com certeza, mas há vida
após a morte?…Tantos mistérios para nossa tão pouca
compreensão terrena…

Pois é, a vida continua. Trabalhando Mané no IML, mesmo
nesta ingrata profissão, com o hábito os medos e mitos vão
perdendo o sentido e a familiaridade instala-se, assim
como também em toda profissão, o tédio, a rotina, esta que
é a maior causa de mortos vivos que se tem notícia…

Tão antiga como a morte é a rotina e tão antiga como a
rotina é a fantasia e o desejo de acabar com ela…

A imaginação flui, mesmo neste macho tão comum chamado
Mané, este auxiliar de necropsia que ainda estava
vivo…Mas, como sabemos, a imaginação para o homem
quase sempre tem um destino certo : sexo.

Sobre o medo da morte ele nunca comentou, mas o medo
dos mortos há um bom tempo Mané perdera ; o medo do
desconhecido… ( ou da desconhecida ! ) mortos ali
naquelas mesas ou gavetas. Até que chegou o dia que
nosso personagem passou a examinar seu trabalho com
um novo enfoque ( fantasia / imaginação) ; tudo já parecia
muito familiar ( que me perdoem as famílias ) só faltava
mesmo um pouco de… malícia (?) …

Tudo culpa da malícia, do desejo torto… até que num certo
dia, ou melhor , numa certa noite , vocês já devem
imaginar, Mané, sem chefe, madrugada, IML, sem
movimento, Mané muito louco, trampando chapado há
vários dias, enfim consumou o pecado mais bizarro, o
concebível inconcebível, a necrofilia.

A vítima indefesa e escolhida era jovem, loira, ele já a
flertava há alguns dias, desde que chegou em seu ambiente
trabalho. Dirão ainda as más línguas que ele apenas
levou ao pé da letra a idéia do comercial de cerveja que
dizia : pega aí na geladeira uma loira estupidamente
gelada…

Mané, o necrófilo ,assustado posto que empolgado, repetiu
várias vezes o ato e depois de tantas hesitações e não
podendo mais suportar sua incomunicabilidade, procura
seu antigo reduto –um boteco – e, depois de tomar várias,
comenta sobre o estranho fato ocorrido ao seu
aparentemente mais próximo amigo e ainda o convida para
participar de suas aventuras de outro mundo, na esperança
de arranjar um cúmplice para suas perversões e ainda
descolar do mano veio mais uns 30 reais de quebra pela
mórbida diversão.

Mas, surpreendentemente o matuto e sarcástico mano
responde :

- Sai pra lá rapaz com essas idéias doidas, se eu quiser
transar com mulher morta,
fria e que não se mexe, transo com minha cunhada de novo.

Intrigado e chapado porém na fissura por um cúmplice,
tenta um outro conhecido que por ser mais idéia fraca
acaba aceitando na base do “ vamos nessa, sem frescura,
não tenho nada a perder mesmo”. Além do mais ele
acabara de receber o salário dos bicos, e chapado
continuou pensando…tinha os trinta paus, estava sozinho,
não conhecia a pessoa que estava morta mesmo e estava
com a cabeça quente pois naquele boteco quase saíra na
mão com alguém que por alguma banalidade ficou
mordido ( dia-a- dia de boteco).

Pois bem, o cara aceitou o bizarro convite. A velha mania
do ser humano de justificar ( para melhor assimilar ) os mais
estranhos atos..como já dizia algum filósofo : nada do
que é humano me surpreende!

Naquela mesma noite, chega Mané com o amigo daquele
jeito… abre as gavetas e dá o livre arbítrio para o chegado
escolher qualquer mulher ( ou homem , sem preconceito).
Adivinhem quem foi a escolhida ? Jovem, bonita, atraente,
um pouco pálida , mas tudo bem…A loira novamente! Um
fetiche nacional. Reparando bem, até que ela
lembrava um pouco a Xuxa dos tempos que era a rainha
não dos baixinhos mas de um público bem mais adulto
e bem menos ingênuo…

No final de contas, ele nunca conseguiria descolar uma
amante dessas mesmo, ou melhor, conseguiria viva, mas a
hora sairia bem menos em conta…Tratou então de
aproveitar logo o negócio de acasião…

Que horror, lá estava ele tentando se ajeitar na mesa de
mármore; Um choque, inclusive cultural !…ou ao menos um
choque térmico pois estava lá o amigo chapado,
transando com aquele corpo frio pouco depois de tomar
várias com a cabeça quente.

Mané nem assistiu, resolveu trabalhar naquela noite, achou
que seria invasão de privacidade…

Ao voltar para casa pela manhã o amigo dormiu, dentro do
possível. No dia seguinte, a lembrança do ocorrido, a
ressaca…

Que loucura ter transitado entre dois mundos, diriam os
mais sutis ; que aberração ter violado o corpo de uma
morta, diriam quase todos.

Arrependimento?

Que nada !

Só uma dúvida, só uma angústia egoística atormentava
aquele homem que aceitou o estranho convite de Mané :
morto passa Aids ?

Pois ele, desta vez, também como sempre muito louco,
havia passado dos limites, transitado sem controle por
entre dois mundos e ainda, para piorar as coisas,
esquecido a camisinha.

Por Marcelo Steponkevicius ( 08/2005)

—————————————————————

Bônus : QUANDO A REALIDADE SUPERA A FICÇÃO (para variar…) O real e tragicômico caso de necrofilia acontecido em Coxin ( MS) ( reprodução de matéria jornalística )“Necrofilia” é o relacionamento íntimo, completo ou não,
entre um homem e o corpo de alguém falecido
recentemente. Embora sejam raras, acusações de vilipêndio
ou desrespeito a cadáveres, quando surgem, em geral
envolvem funcionário de necrotérios, funerárias ou
cemitérios. Mas há casos de desequilibrados, que invadem
cemitérios e violam túmulos para essa prática, como teria
acontecido recentemente em Coxim, MS.

No caso, comentado por Maurício Picarelli, na abertura do
programa O Povo na TV desta quarta-feira, o cidadão de
nome Odair José Batista, mais conhecido como “Pantera”,
de 26 anos, foi detido em 5 de maio como suspeito de violar
um jazigo do cemitério Vila Bela, em Coxim, a 246 km de
Campo Grande, MS, e praticar necrofilia.

Em depoimento na Polícia Civil, Batista confessou que
manteve relações sexuais com o corpo de Maria Jaci, de 45
anos, que havia sido enterrada no sábado, dia 3. De acordo
com os policiais, após a abertura da cova, o corpo foi
retirado do local e vilipendiado. O corpo de Maria foi
encontrado por visitantes do cemitério.Odair José disse que,
como estava bêbado, não conseguiu colocar o corpo de
volta no caixão. Batista, que foi localizado na Vila Bela,
permanece detido na Cadeia Pública de Coxim.

……………….

AFINAL, CAROS LEITORES, EM QUE MUNDO ESTAMOS VIVENDO?!…

Polêmicas e Discussões de Amigos

Postado em contibuição de amigos, discussões, polêmicas às Maio 14, 2006 por Fabio R.

Polêmica levantada por mim e alimentada/enriquecida ( felizmente ) por amigos. QUE FIQUE BEM CLARO : Qualquer um pode participar pois sempre há algo a acrescentar. Amigos antigos ou futuros ou simplesmente seres pensantes e/ou sinceros navegantes da Net: alimentem e enriqueçam esta polêmica com comentários sempre bem vindos. Um abraço de Marcelo Steponkevicius. TEXTO ORIGINAL QUE DEU ORIGEM À POLÊMICA.Caros amigos,

Mais uma vez dividi com vocês algumas idéias, impressões, sentimentos; convido quem estiver vivo e alerta a polemizar, simplesmente trocar idéias de maneira sincera, clara e objetiva. Assim tem feito o Márcio e o Zé Del Ben e outros amigos.

Estávamos trocando idéias (eu e o Zé ) sobre como este meio importantíssimo para comunicação (a internet) tem sido desperdiçado pelos usuários. A internet, orkut, etc não servem tão-somente para repassarmos besteirol ou banalidades. Não podemos reproduzir estas mesmices pois somos seres com conteúdo e com vivência as mais variadas e, simplesmente, estamos jogando no lixo nosso potencial para realmente comunicarmos coisas mais relevantes ao ser humano (conflitos, idéias, criatividade, arte , cultura, resistência, etc, etc, etc).

Estamos numa época em que as pessoas estão se isolando, atomizando, alienando, pulverizando e sumindo na poeira da rotina massacrante!…Por conta de quê esquecer-se de si mesmo ? Por necessidade de descolar milequinhentos réis, dois mil , três ? Creio que a qualidade de vida e de

nossa interação vale muito mais que o vil metal.Parece que não nos sobra tempo para viver, apenas para cumprir obrigações, então viver torna-se uma obrigação também?

Nossa incomunicabilidade, como qualquer doença, pode tomar-se crônica, as máscaras podem endurecer em nosso rosto, e de tanto fazer média, vamos nos transformando em homens -média, medíocres, pulverizados e domesticados… Nesta rotina mórbida de cada dia vamos morrendo e entrando num tipo de embotamento cerebral, afetivo, repleto de passividade e desespero contido ( reprimido )./Alguém já pensou nisso ? ou melhor, alguém já sentiu isso ou estou falando com as paredes? Sem intensidade a vida não tem sentido, ao menos com meus amigos quero uma liberdade de movimento, de comunicação. Quem são meus amigos? Aqueles desde tempos passados ou todos aqueles que quiserem, aqui e agora , com respeito porém sem muita formalidade ; mas,… sem comunicação não dá!!!

Marcelo Stepon (04/2003)

Respostas

Olá, Marcelo
Há um bom tempo venho pensando sobre algumas questões mencionadas por você neste e-mail. Aí vai, então, um breve comentário.
Cada vez mais tomo consciência de que essa nossa vontade de que o mundo desacelere um pouco, ao menos em alguns momentos, é apenas a vontade de um pequeno grupo que sofre como você por não poder curtir com maior tranqüilidade o que há de bom. O homem se preocupa tanto em “evoluir”, e se esquece de reservar um tempinho para aproveitar aquilo que criou. Tem de reaprender a saborear as coisas da vida.
Há quem diga que o ócio é o pai de todos os vícios, eu vou na contramão e digo que é o pai de muitas boas idéias. O ócio é criativo e produtivo!!! Acho que o ritmo alucinado e o isolamento típicos da vida moderna, por parte de muitas pessoas, mais do que medíocre é estratégico, assim ninguém se relaciona com ninguém e fica tudo na superfície, é mais fácil assim. Pra que trocar idéias? Pra que conviver com o outro? Pra que tentar entender o diferente e aprender com ele? Pra que correr o risco de reconhecer uma parcela de culpa pela miséria alheia? Deixa assim.
São as mesmas pessoas que não trocam um tostão por uma conversa com um velhinho na esquina. Ao contrário, fogem deles para não correrem o risco de sentirem de alguma maneira ligados a uma outra realidade. Ter consciência é arcar com responsabilidades. Abrir mão do luxo? Abrir mão das regalias? Só nós mesmo!!!
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.
(Titãs)
Um grande abraço,

Eclicia (USP ,Cursinho da Poli)

Marcelo Li atentamente o seu e-mail e concordo contigo, hoje em dia é muito mais fácil você mandar um e-mail para um amigo e perguntar como ele está, contar sobre sua vida do que encontrá-lo pessoalmente e bater um papo casual. A Internet é mais do que isso, a vida é mais do que isso, mas também não podemos esquecer que vivemos num mundo capitalista onde existe a Reificação do Homem, ou seja, o homem é coisificado, ele só tem valor pelo que tem e não pelo que é.Mergulhamos na nossa sufocante rotina e esquecemos de que viver não é só trabalhar, estudar, etc e sim nos divertirmos e sermos felizes, mas como hoje em dia e