|
PROLEGÔMENOS OU APENAS UM AVISO IMPORTANTE :
ESTE É UM ESPAÇO PRETENSAMENTE CRÍTICO -
POÉTICO ;
ESTÁ ABERTO A TODOS E EM MOTO PERPÉTUO.
EDITORIAL : Caros amigos antigos, atuais e futuros,
Fico feliz por saber que resistimos com luta,
emoção e mesmo alegria e prazer para não sermos meros
marionetese/ou passageiros confinados e conformados
com um mundo cada vez mais caduco e repleto de
hipocrisias, informações distorcidas e/ou falsificadas ( vide
mídia em geral) e/ou o excesso de besteirol fácil e estéril.
Somos - felizmente- muito mais do que este estado de coisas!!!
Um brinde à vida ativa, sincera e crítica e por vezes alegre ;
voltada para a construção de relações ao menos mais
honestas e saudáveis para todos nós.
Seres sub-reptícios de todo o mundo : uni-vos!!!
Pois, como já foi dito ( e comprovado pela ciência) : “Quem resiste desenvolve a espécie!!!” (rs)
Um grande abraço para todos,
Marcelo Steponkevicius ( mstepon@ig.com.br )
PARTE I : POIESIS & LIRAS ( POESIAS ESCOLHIDAS - PARA A ALMA DESTE BLOG )
MÃOS DADAS
NÃO SEREI O POETA DE UM MUNDO CADUCO.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens
presentes, a vida presente.
Poema do livro “Sentimento do Mundo” de nosso poeta-mor
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
————————————————————————-
EMERGêNCIA
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas, enfim, profundamente respirar.
QUEM FAZ UM POEMA SALVA UM AFOGADO.
MARIO QUINTANA
———————————————————————
MAIS UMA POUCA DE POESIA PARA SALVAR O DIA, PARA SALVAR A VIDA!
HOMENAGEM PARA JULIANO STEPONKEVICIUS
Falando em poesia, na poesia da vida, para quem não sabe meu pai-avôi foi também poeta nesta vida.Foi também quem me incentivou a desenhar , escrever, e aguçou minha criatividade e interesse por tantas coisas. Neste Blog, em tudo o que crio de bom, há muito dele.Ofereço a todos este poema publicado na coletânea de poemas “Eu, você e a noite” e que guardo com carinho como tantas de minhas melhores lembranças…
O MUNDO ME DEU ESTA LIÇÃO
Grande amor, pobre amor, Pobre amor, grande amor. Um amor feliz, outro desprezado ; Amor é sempre contrabalanceado.
Buscamos então luxo e riqueza Mas, com luxo e beleza, Algo também pode faltar: Amor sincero em primeiro lugar.
Todo amor é sagrado, É preciso estimar. Sol nasce também para todos, Não precisa procurar.
Não é por prazer choramos, Não é por gosto que sofremos, Não é por vaidade que amamos, Não é por desprezo que morremos.
Quando os jovens amam, Sentem-se no paraíso. Se temos corpo e alma, Deus também nos deu juízo.
Fator principal é ser inteligente, Criado por Deus este vivente. Deus é luz, Deus é sabedoria, Deus é amor, Deus é harmonia.
Por JULIANO STEPONKEVICIUS
——————————————————————-
Divido agora com vocês algumas POESIAS MINHAS com um caráter mais profundo ( ao menos na intenção) ; surgidos - quicá - de uma “suposta profundidade do ser ” como diria nosso grande poeta e inspirador Ferreira Gullar.
 CAMPONÊS
Sol a sol um corpo estraga, Folha seca a se quebrar. Queima ao sol um rosto árido, anônimo, Suspiro ávido que não ecoa…
Roupa velha, enxada e chapéu, Só trabalho e sofrimento, Fere a terra, fere a alma, Mais um corpo de aluguel

CRISE EXISTENCIAL
Pesado é sentir, Pesar na consciência, Toda falta de consistência.
Sofrimentos dispersos, Excessos mal distribuídos, Potenciais imersos…
Tudo então parece reverso, Como um grande universo… Caótico e ao avesso.

AMIGO ( dedicado a um antigo amigo)
Conheci você, menino de sonhos tão lindos. Reconheci, toda sua sensibilidade. E não te confessar isto antes, Fez parte de meus enganos…
Conheci você, espontâneo e saudável. Reconheci, teu amor pela vida. Assim como tua dor ressentida, Por habitar em um mundo tão frio.
Posto que tarde, desarmado confesso : Tenho como ideal tua pureza, E sinceramente desejo, Ver a beleza de teu ser, Triunfar sobre tudo o que é vulgar.
Eis agora algumas poesias descobertas recentemente ; feitas sob efeito de alquimias diversas e coletadas precariamente em finais de folhas de caderno pelos confins do campus da USP e/ou pelos ônibus negreiros na volta da faculdade para a zona leste de São Paulo.
SEM TÍTULO
Saia branca o véu de noiva, Lançando perfume vem a trombeteira, Avisando que houve viagem frontal…
Moderex com haxixe, O preto velho, o velho… chá de cogumelo…
Vá saber do LSD !… Vá mesclar a mescalina, Delirar com chá de lírio, Retorcer com sua heroína !…
SEM TÍTULO
Me interesso por algumas pessoas * Algumas pessoas se interessam por mais…* (?idem?)
Tenho que descer do ônibus, Tenho que sair da fila. Acho que caí na armadilha De não existir direito…
Assim fica difícil, Tudo é compromisso, Nada é compreensão!…
Assim fica bem triste. Tem gente que desiste, Tem gente que insiste, Mas a maioria só assiste!….
* Post Scriptum: a colocação pronominal está incorreta mas, em certos estados de consciência as regras da gramática (e etc) não fazem o menor sentido… (rs)

POEMAS EROTIZADOS… VIVA ÁVIDA VIDA ( DELíCIA! )
Na loucura dos acasos inspirados, Conheci você e estou muito grato, à mulher, a Deus ou ao diabo ?
Nossas carências contidas, Desejos, segredos e malícias, Desperta, mexe, instiga.
Sua erotizante manha, Olhar, pele, boca, Tudo me assanha!!!
Nossos corpos rentes, Química que convida, Encanto de mil serpentes.
Entregamo-nos sem vaidade, A melhor das entregas, A entrega da vontade.
Quiçá mágicos instantes, Incontidos instintos, Eros de bacantes…
Aflição desmedida, Colorido torpor, Volúpia ensandecida.
Valeu esperar o momento, O beijo, o prazer, o fetiche, A dança…do acasalamento.
Derradeira fantasia aconteceu, Fez jorrar viva substância, Que um âmago inquieto proveu.
Sinto você agora Sinto você ativa Sinto você em mim,
Viva, ávida, vida.
DE - LÍ - CI - AH !!!… *************************************************************
MENSAGEM ÀS VADIAS DO GUETO
Como sofrem homens carentes! Nosso corpo tenso, armado Suplica massagens e beijos Deleites…
Pois é muito o recalque do mundo E é bastante também o desejo E é tamanho o conflito entre corpo e mente Que o probo vê-se torto, Perde o juízo! Desentende-se…
Trepar ! numa árvore frondosa!… Chupar ! doce fruta do pé…
Só sabemos que… Vontade à flor da pele Também sonhamos
Sonhos desses coloridos, delirantes ; In-voluntárias contrações, molhadas vertigens E a gente não quer acordar por nada Muito menos pra trabalhar !
Tudo isso porque
Caras Vadias do gueto : Descobrimos o segredo !
Caras Boquinhas de veludo : Sexo para vocês é tudo !
Moeda com que compram a vida Vida louca que enlouquece os homens…
Saibam que…; e tenham dó!…
Não somos de ferro ! Temos nossos pontos fracos Que vocês tão bem sabem
Assim sendo, quem poderá dizer?Arriscar Com esta vontade toda E sedução a “mil grau” Quem poderá nos ajudar? Onde vamos parar ?
Agora, pergunto para vocês, destes grupos de poesia , qual será a que melhor expressa a tal da transitividade do ser”?
Poesias e questionamentos : Marcelo Steponkevicius
FALANDO DA VIDA…
VIDA E NORTE
Não quero fazer da morte Tão-somente Forjada mentira, Ilusão consorte.
Não quero fazer da vida Tão-pouco Estéril semente, Viagem perdida.
DESAFIO
Sinto que somos enganados, Pois a vida clama por ser!… E definitivamente não é Esta merda-mídia que nos vendem.
Sinto que não suportaremos mais Na hora sagrada das atitudes Desesperadamente amortecer Embotar, adiar o sumo da vida.
O DESAFIO DE HOJE É SENTIR ! O DESAFIO DE HOJE É VIVER ! Tentar, sentir, alguma vida. **************************************************

DIA DAS MÃES
Apelos humanos ecoam ,
Vagando perdidos,
dispersos Num mundo de indiferença e dor
Transitando pelas ruas notei
Em pleno dia das mães
Algo sintomático e estranho :
Os bares estavam repletos
De gentes tóxicas, envenenedas
Por seu próprio mundo.
Na busca incessante por aceitação
Muitos filhos sós, bêbados,
Falando grosso e mamando…Pinga!
Chorando aos berros frases toscas, desconexas…
Chapados machos amortecidos
Desesperadas mentes atrás de um copo,
Uma garrafa, uma boca , uma chupeta !…
Para suportar os inúteis dias
Que sempre morrem - incompletos.
O ardente líquido encharca o corpo
O enfermo então abafa dilemas
Mal resolvodos nadam contra a corrente :
Concretude tornada insuportável. triste condição humana
Em pleno dia das mães Buscar aconchego, lugar ;
Ainda que No Periférico ralo das ralés,
refúgio sujo e esfumaçado Boteco,
bodega, bar cambaleante buscar
Um estranho ; mas talvez único possível útero…
|
|
[12/2/2005 17:09:32 stepon ........................................................................................................

Caros amigos, Eis aí um texto introdutório para quem deseja saber um pouco mais sobre um dos mais geniais artistas de todos os tempos ; nada mais , nada menos que GLAUBER ROCHA!
A ATUALIDADE DE GLAUBER ROCHA E DO CINEMA NOVO ( uma crítica aos críticos de ocasião )por Marcelo Steponkevicius
Como sabemos, o movimento cinematográfico chamado cinema novo surgiu no Brasil, para convencionarmos um período aproximado, em meados da década de cinqüenta e teve seu maior fluxo de produções na década de sessenta. Caracterizou-se por uma corajosa e engajada proposta ligada à criação de um cinema “descolonizado”, com uma pretensão fundamental, qual seja :a de mostrar nas telas a “verdadeira expressão cultural do Brasil ”, mostrar um Brasil como negação de um espelho distorcido pela alegoria e caricatura das chanchadas e suas variantes, a negação de um Brasil inventado pelos discursos políticos de ocasião que mostravam ( e mostram ainda hoje ) um país do futuro próspero embora mergulhado num presente mísero.Pretendeu colocar nas telas um Brasil rente a sua realidade política, econômica, antropológica...com seus paradoxos e dilemas específicos e ao mesmo tempo tão universais como a miséria material e espiritual presente nos terceiros mundos.
Com o cinema novo, uma nova e radical estética cinematográfica foi criada. Tal empresa só pôde realizar-se graças a uma postura estética principal : a rejeição aos moldes impostos pela indústria cinematográfica comercial, sobretudo a americana, postura esta forjada dentro de uma relação estreita entre imagens cinematográficas e posições crítico-teóricas dos autores/diretores em questão, posições surgidas de um ânimo de denúncia e comunicação crítica com o Brasil e com o mundo. As diferenças desta nova estética foram sentidas imediatamente; houve o abandono dos estúdios para fazer surgir na berlinda um cenário que tinha como mote a miséria brasileira em suas várias formas, tornando-se mais comum o espaço relacionado ao nordestino e às favelas urbanas.

Glauber Rocha não tardou a despontar como porta-voz do novo cinema, dotado de grande erudição artística , formulou em 1963 um livro-manifesto, Revisão crítica do cinema brasileiro, uma das melhores sínteses ainda hoje a mostrar toda a amplitude e intenção estética presente no cinema novo, uma estética, antes de mais nada consciente de sua função ligada à “arte crítica”.Caso paire em relação a isto alguma dúvida, em 1981 numa de suas últimas e mais lúcidas entrevistas ( desmentindo portanto a suposta suspeita de insanidade mental levantada sobre Glauber em seus últimos anos de vida ) Glauber dirá : “... se você me perguntar , portanto, o que caracterizava teoricamente o cinema novo, eu diria isso: a necessidade de criar uma cultura revolucionária em um país subdesenvolvido...”
É preciso que fique bem claro aos curiosos e críticos de ocasião que ainda hoje não é tarefa fácil analisar toda riqueza e complexidade presente no cinema novo. Só para se ter uma idéia, Tal cinema nutriu-se e refletiu além das disposições pessoais de seus criadores, todos os paradoxos existentes entre a breve efervescência cultural do início da década de 60 e o abortamento desta mesma efervescência após o golpe militar de 64. Não por acaso, Glauber alertava : “ Tudo o que se diz hoje sobre o cinema novo provém de concepções deficientes, porque não conseguem integrar esta dialética de um movimento cultural criador no interior de um processo ditatorial ”.
Em relação à produção cinematográfica brasileira no pós-guerra, podemos perceber que após o esgotamento das chanchadas, o cinema brasileiro encontrava-se abandonado, ou no mínimo acuado devido à invasão cada vez mais freqüente da indústria cinematográfica internacional. O fato era tão grave que um de nossos maiores estudiosos do cinema brasileiro, Paulo Emílio Sales, fará uma observação importantíssima em célebre artigo do início da década de 60 : “A razoável continuidade do filme brasileiro de enredo durante os últimos anos pode levar o observador superficial à conclusão de que existe uma indústria cinematográfica funcionando normalmente em nosso país.Tal não acontece. Os interesses do comércio cinematográfico nacional giram em torno do cinema importado, prosseguindo o mercado atual saturado pelo produto estrangeiro.São obrigados nossos filmes a enfrentar o desinteresse e conseqüente má vontade do comércio, conseguindo exibição graças apenas ao amparo legal.”
Podemos observar então que justamente deste momento cultural adverso para o cinema brasileiro e para a sociedade brasileira como um todo, surgirá a força e a resistência crítica do grupo do cinema novo e de Glauber Rocha, sem dúvida seu maior expoente. Assim sendo, temos que a própria condição de abandono e marginalidade em que o cinema brasileiro se encontrava transformou-se em seu principal mote, ou seja, da condição de opressão cultural surgiu a condição legítima da opção por uma negação consciente de todo e qualquer colonialismo cultural, opção esta que deu ao cinema novo razão de ser especial dentro do universo da sétima arte. A este respeito, Glauber observa : “Se o cinema comercial é a tradição, o cinema de autor é a revolução...Dizer que um autor é reacionário, é a mesma coisa que caracterizá-lo como diretor do cinema comercial...O autor é o maior responsável pela verdade : de sua estética, sua mise en scène é uma política”. Donde a necessidade de rejeitar os refletores gongorizantes, a maquiagem, as cenografias de papelão : o autor precisa apenas de um operador, uma câmera, alguma película e o indispensável para o laboratório – equipe mínima. O resto é liberdade e mise en scène. Só assim o autor pode livrar-se das convenções e encontrar a realidade numa visão livre, anticonformista, rebelde, violenta, insolente. Aprender cinema é aprender a realidade : o cinema não é instrumento, o cinema é uma ontologia”.
A proposta descolonizante no ( do ) cinema novo jamais deve ser encarada como mera aventura rebelde de jovens diretores, e sim como um ideal tornado prática, uma prática cinematográfica voltada eficazmente para um processo de descolonização, uma tentativa de discutir nas telas não só a miséria pela miséria, mas pôr em questão a inexistência de um projeto nacional crítico e autônomo, uma proposta tão lúcida e ousada que inclusive pretendeu retomar e atualizar o espírito modernista de 22, embora nem sempre esta linguagem fosse de fácil assimilação por parte da população, por motivos que conhecemos de perto : miséria material gerando miséria espiritual...Além disso, não podemos perder de vista o fato de que quando o cinema novo denuncia o Brasil colonizado, humilhado e miserável, denuncia na verdade metaforicamente toda América latina, a Ásia, a África, enfim, toda a tragédia dos terceiros mundos que o capital gerou em seu desenvolvimento combinado e desigual.
Como não poderia deixar de ser no mundo da arte e da cultura, várias influências artísticas concomitantemente agiram sobre o cinema novo, mais especificamente a do cinema europeu pós-guerra, mesmo porque se analisarmos do ponto de vista político-sócio-econômico, observaremos uma Europa dependente e subjugada em relação aos Estados Unidos, gerando para grande parte dos países Europeus uma condição de inferioridade político-econômica de que terá reflexos na produção artístico-cultural européia que passará a apresentar então uma “estética do subjugado” tal como acorreu com o cinema novo, guardadas as devidas especificidades. Por isso alguns críticos observam a existência não de apenas um cinema novo, mas vários cinemas novos rondando a Europa do pós-guerra e a América do sul.
A produção cinematográfica européia refletiu-se num estilo de cinema realista e crítico comumente denominado neo-realismo ou, mais especificamente na França o nouvelle vague, com expoentes como : Truffant, Resnais, ou Godard ( amigo pessoal de Glauber ). No caso do neo-realismo italiano, autores de relevância como Visconti, Antonioni, De Sica, Pasolini, Fellini e Rosselline, este último considerado o pai do neo realismo.
Tanto no caso do cinema novo como no caso do cinema Europeu, a antítese em relação aos filmes de Hollywood foi uma constante, um ponto em comum, uma questão de honra ! Não por acaso Glauber enfatizava : “o que jamais aceitaremos de Hollywood é sua ideologia colonialista com relação aos índios, aos negros e aos povos subdesenvolvidos...”
Considera-se como um dos primeiros marcos do Cinema Novo o filme Rio 40 graus, realizado em 1954 por Nelson Pereira dos Santos.O filme pela primeira vez mostrou na tela a realidade das favelas, as imagens do subdesenvolvimento no Brasil.Também é de fundamental importância o filme Vidas secas de 1965. Outros filmes também causaram grande impacto,como exemplo podemos citar São Paulo S. A. de Luis Sérgio Person, filme que denuncia entre outras coisas a exploração colonialista e os conchavos entre a burguesia industrial nacional e estrangeira em nosso país. É do mesmo autor o filme O caso dos irmãos Naves, que aborda com primor as torturas e a truculência do DIP durante a ditadura Vargas tendo como exemplo um real e trágico caso jurídico mal resolvido. Temos também Os fuzis de Ruy Guerra em que podemos ver em pleno sertão nordestino ( pano de fundo muito presente no cinema novo como “palco real” das desigualdades sociais e da miséria) o clima de tensão marcado por um povo passivo e sem mobilização para lutar contra as próprias condições de sua miséria. Podemos citar também Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade, filme que apesar de ser produzido em 72, podemos incluir como cinema novo, uma vez que conserva uma proposta estética de crítica e desmistificação, no caso específico, desmistificação da historiografia oficial relacionada à inconfidência Mineira. Estão presentes ainda no cinema novo autores como Leon Hirzman, Carlos (cacá ) Diegues, Walter Lima Júnior entre outros.
Como podemos perceber, a safra do cinema novo foi farta e seus frutos ainda estão frescos, alimentando ainda hoje os espíritos críticos de plantão. Apesar disso, ainda hoje faz-se necessário alertar que, apesar de ter havido uma certa “ sintonia estética” entre o grupo do cinema novo, tal grupo não se tratava de um movimento homogêneo, e sim de uma forma de fazer cinema em que, como bem disse Cacá Diegues : “as expressões são e têm de ser necessariamente pessoais, porque fruto de experiências inéditas e inventivas”. Tais circunstâncias trouxeram ainda mais riqueza e diversidade ao cinema novo.
Os autores supra citados e ainda outros não abordados, não podem ser analisados pela lente da imobilidade e do reducionismo da mídia e dos críticos de ocasião que, vez por outra apresentam tais autores apenas como “ meros expoentes de um tipo de cinema- datado e ultrapassado- chamado cinema novo”, mesmo porque podemos dizer, e sem exagero algum, que muitos deles figuram entre os melhores cineastas de todos os tempos, uma vez que realizaram um cinema verdadeiro, ao mesmo tempo original e crítico, e inclusive ao contrário do que muitos podem pensar, com apuro técnico para a época.
O CASO GLAUBER ROCHA
Glauber Rocha, dentro ou fora do cinema novo, sempre será um capítulo à parte. Figura entre os autores mais expressivos e polêmicos da história do cinema. Buscava refletir em seus filmes a cultura brasileira vista como uma cultura heterogênea, subdesenvolvida, colonizada e histérica, sem uma identidade verdadeiramente construída, fato que terá como conseqüência a formação de um tipo de população tão exótica como miserável, uma população alienada e incapaz de estabelecer as mediações necessárias para o entendimento de sua própria condição, uma população ingênua, que geralmente se torna presa fácil frente aos discursos políticos, religiosos,etc, uma população que se submete constantemente ora à dominação de líderes carismáticos, populistas e patriarcais ( vide Terra em transe ), ora à dominação alegóricos beatos, padres, etc, vistos como pais redentores, verdadeiras figuras carismáticas que agem num espaço marcado pela situação-limite da miséria regionalizada ( daí a constância do sertão como pano de fundo), funcionando tais “salvadores “como verdadeiros catalisadores do desespero e das crendices populares ( vide Deus e o diabo na terra do sol ). Glauber denuncia com sensibilidade e coragem a passividade de um povo sem identidade, desorientado, em transe, um povo que aparece com genialidade na fala do personagem Paulo Martins em Terra em Transe. Paulo, o poeta intelectual presente no palácio do governo, ao observar o histerismo popular, não hesita em constatar desiludido : “O povo sai atrás do primeiro que acene com uma espada ou uma cruz.”
Portanto, podemos perceber que Glauber fora e dentro de seus filmes age como um iconoclasta, não deixa pedra sobre pedra, por trás da crítica ao povo, há a critica tanto em relação à exploração das potências capitalistas e suas facções no Brasil, como inclusive em relação à fragilidade das facções de esquerda e da intelectualidade sem um projeto político autônomo ( vide Terra em transe ) guiando-se geralmente apenas por “deformações teóricas”, fruto, segundo Glauber, da má aplicação de modelos teóricos importados que idealizavam os agentes históricos e a própria revolução. Graças a mais esta análise de Glauber, tornou-se mais uma vez relevante a discussão de que para haver uma revolução verdadeiramente eficaz no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, esta deve estar ancorada também em bases culturais específicas.
“(...) aquele proletariado formalizado, idealizado pelo realismo socialista e pela má interpretação do marxismo/leninismo no Brasil e pelas clássicas deformações do partido comunista, não era o povo de verdade. Nós nos recusamos a idealizar o proletariado : é a massa marginalizada que representa o câncer inconsciente do Brasil e é sobre os marginais que o Cinema Novo desceu.”
( Glauber Rocha, entrevista à Raquel Gerber em fevereiro de 1973 em Roma, Itália ).
Ao tentarmos fazer uma leitura da obra de Glauber, quando mais nos aprofundamos, mais nos deparamos com a existência de uma totalidade extremamente complexa, mesmo porque ele utiliza uma abordagem em seus filmes (denotativamente ou metaforicamente) repleta de questionamentos e “desconstruções “ que questionam a origem da colonização brasileira, passando pelas conseqüências de nossas heranças culturais, nossa incapacidade de elaborar um pensamento crítico satisfatório em relação aos nossos problemas sociais, os mecanismos de poder e dominação aplicados ao Brasil e ao terceiro mundo, e assim por diante. Glauber parece por vezes utilizar-se do que parece haver de melhor nas análises filosóficas marxistas : o conhecimento como totalidade, a análise dialética da história e por fim “ a crítica implacável de tudo o que existe”. Glauber portanto parece trabalhar com esferas de conhecimento específicas mas integradas ( a sociologia, a psicologia, a antropologia, etc ) esfears estas que se completam numa totalidade, numa síntese crítica.
É interessante observarmos que apesar de toda esta complexidade presente em suas obras, Glauber não quis apenas fazer cinema para uma elite, nutria também um desejo sincero de contribuir para um processo de conscientização popular por meio de seus filmes e idéias.
Voltando ao cinema novo como movimento e à questão do subdesenvolvimento em que o mesmo está inserido, como já foi dito, os autores parecem ter conseguido o extraordinário feito de transformar em mote sua própria carência de incentivos e recursos materiais, não aceitando a humilhante condição de passividade frente à imposição do subdesenvolvimento material e espiritual, questionando tais condições a partir de seu próprio epicentro. No caso de Glauber, sua postura de denúncia frente ao subdesenvolvimento, gerou um tipo de estética particular em relação à abordagem da realidade do terceiro mundo, estética esta que será classificada pelo próprio Glauber como uma “ estética da violência”, única condição de luta e de superação em relação às violências e humilhações por que passam os desprovidos do terceiro mundo, a violência da luta de classes no Brasil , a violência da concentração de renda, do coronelismo, do populismo, do colonialismo, em suma, a violência dos dominantes contra os dominados, a violência tão presente em nossa barbárie contemporânea. .
“Uma estética da violência, antes de primitiva, é revolucionária...somente conscientizando-se de sua possibilidade única , a violência, o colonizador pode compreender, pelo horror, a força da cultura que ele explora.”
( Glauber Rocha - A estética da violência )
Dentro deste prisma, começamos a entender melhor o cinema descolonizante do cinema novo e o de Glauber que parece criar uma arte movida por um “ideal revolucionário” que sempre esteve presente em Glauber : a idéia de libertação nacional pela construção de uma nova e verdadeira cultura nacional, uma cultura descolonizada. Em meio a este ideal parece habitar vários espíritos libertários, desde o dos comunistas do século XIX, passando por Freud, Marx, Sartre, encontrando Castro Alves, Darci Ribeiro ou o incansável Che Guevara, encontros de vários espíritos críticos num trânsito intenso e alucinado na mente de Glauber, vulcão e fonte de inventivas e infinitas formulações e reformulações estéticas.
Portanto, no bojo da produção cultural de Glauber e do cinema novo, seguem questões fundamentais como por exemplo a da inexistência ( ainda hoje ) de uma identidade cultural verdadeiramente consolidada em nosso país. Por isso mesmo, no mínimo temos que considerar que o cinema novo tocou na ferida cada vez mais aberta e supurada da miséria e do subdesenvolvimento material e espiritual a que estamos cada vez mais expostos. Devemos todos então ao menos analisar o cinema brasileiro em questão com atenção e respeito, observando bem as posições, afirmações e as negações que estavam e que estão em jogo. Em relação a um tipo de crítica madura que deve ser feita ao cinema nacional, já temos aqui mesmo nossos maiores especialistas : O próprio Glauber Rocha, Jean-Claude Bernardet , Ismail Xavier ou o mestre Paulo Emilio Sales com suas análises providenciais acerca das complexas mediações que envolvem o cinema nacional, o cinema novo e sua compreensão e incompreensão por parte do público brasileiro. Pouco importa os críticos de ocasião que habitam a mídia a em geral que hoje em dia parece estar contaminada com a doença burguesa de abominar qualquer arte engajada apenas porque o realismo crítico não está muito na moda para os passivos apolíticos que infelizmente multiplicam-se por nossos veículos de comunicação. Justamente por isso, cada vez mais parece oportuno repetir o apelo que Glauber fez em A idade da terra : ACORDA HUMANIDADE !!!
Caso não tenha ficado claro o que Glauber Rocha e o cinema novo enquanto manifestação artística tem a ver com todo o estado de coisas abordado, vai aí uma bela dica :
“A deterioração da conjuntura estimulante dos inícios de setenta fez com que o público intelectual que corresponde hoje ao daquele tempo se encontre órfão de cinema brasileiro e voltado inteiramente para o estrangeiro onde julga às vezes descobrir alimento para sua inconfidência cultural. Na realidade ele encontra apenas uma compensação falaciosa, uma diversão que o impede de assumir a frustração, primeiro passo para ultrapassá-la. Rejeitando uma mediocridade com a qual possui vínculos profundos, em favor de uma qualidade importada das metrópoles com as quais tem pouco o que ver; este público exala uma passividade que é a própria negação da independência que aspira. Dar as costas ao cinema brasileiro é uma forma de cansaço diante da problemática do ocupado [ colonizado ] e indica um caminho de reinstalação na ótica do ocupante [ colonizador ]. A esterilidade do conforto intelectual e artístico que o filme estrangeiro pródiga faz da parcela do público que nos interessa uma aristocracia do nada, uma entidade em suma muito mais subdesenvolvida do que o cinema brasileiro que deserdou. …este setor de expectadores não encontrará em seu corpo músculos para sair da passividade, assim como o cinema brasileiro não possui força própria para escapar ao subdesenvolvimento. Ambos dependem da reanimação sem milagre da vida brasileira e se encontrarão no processo cultural que daí nascerá.”
( Paulo Emilio Sales )

MÚSICA : ARTE, FANTASIA E ENERGIA PARA A VIDA!…
Para mim, música é como se fosse uma religião em que busco (e encontro) alimento ( ou mesmo alívio) para minha mente e meu espiríto. Energia artística para nossa vida. Tenho o prazer de dividir com vocês algumas letras da gloriosa MPB com as quais me identifico bastante. Poesia, crítica e sensibilidade coexistindo… Queria eu compor como estes artistas… Vide mais belas músicas da MPB no link “cultura nacional…”
Um abraço em especial para Sérgio Ricardo ( o mestre ).
Visitem a Página (site oficial) de Sérgio Ricardo (vide link à direita logo no início do Blog )
Muito mais do que simplesmente “aquele que quebrou o violão no festival da Record ”, Sérgio é um múltiplo artista. Cineasta, cantor , compositor , instrumentista, artista plástico, escritor e por aí vai…Ser humano da melhor qualidade.
Obs.: caso haja interesse, clique no link “cultura nacional &/ou criações de amigos” ( início do Blog à direita - parte azul ) e confiram algumas letras, biografias, bem como trecho da conversa entre eu ( admirador) e este grande artista que é Sérgio Ricardo. Confiram!!!
Voltemos às letras…
PONTO DE PARTIDA (Sérgio Ricardo)*
Não tenho para a cabeça Somente o verso brejeiro Rimo no chão da senzala Quilombo com cativeiro
Não tenho para o coração Somente o ar da montanha Tenho a planície espinheira Com mão de sangue e façanha
Não tenho para o ouvido Somente o rumor do vento Tenho gemidos e preces Rompantes e contratempos
Tenho para minha vida A busca como medida O encontro como chegada E como ponto de partida
Não tenho para o meu olho Apenas o sol nascente Tenho a mim mesmo no espelho Dos olhos de toda a gente
Não tenho para meu nariz Somente incenso ou aroma Tenho este mundo matadouro De peixe, boi, ave e homem
Não tenho para minha boca Sagrados pães tão somente Tenho vogais, consoantes Uma palavra entre dentes
Tenho para minha vida A busca como medida O encontro como chegada E como ponto de partida
Não tenho para meu braço Apenas o corpo amado E assim sendo o descruzo Na rédea, no remo e no fardo
Não tenho para a minha mão Somente acenos e palmas Tenho gatilhos e tambores Teclados, cordas e calos
Não tenho para meu pé Somente o rumo traçado Tenho o improviso no passo E caminho para todo lado
Tenho para minha vida A busca como medida O encontro como chegada E como ponto de partida
*PS : Escrevi esta obra de arte na parede de meu quarto. Haja identificação!…
FILOSOFIA (Noel Rosa / André Filho)
O mundo me condena E ninguém tem pena Falando sempre mal do meu nome Deixando de saber Se eu vou morrer de sede Ou se vou morrer de fome.
Mas a filosofia Hoje me auxilia A viver indiferente assim Nesta prontidão sem fim Vou fingindo que sou rico Para ninguém zombar de mim.
Não me incomodo Que você me diga Que a sociedade É minha inimiga. Hoje cantando neste mundo Vivo escravo do meu samba Muito embora vagabundo.
Quanto a você Da aristocracia Que tem dinheiro Mas não compra alegria Há de viver eternamente Sendo escrava desta gente Que cultiva hipocrisia.
AVE CORAÇÃO (Fagner)
Eu sei que existe por ai Uma andorinha solta Procurando um verão que se perdeu no tempo Cansou de ser herói do espaço E quer a companhia de outros pássaros É que o seu coração de ave Não aguenta tanta solidão.
Eu sei que eu ando por ai Sou andorinha solta E nem sei a estação em que estou vivendo Não quero ser herói de nada Só quero a companhia de outros braços É que o meu coração de homem Voa alto como um pássaro.
PIANO E VIOLA (Taiguara)
Olhando o dia de chuva Vi que mais triste era eu Que sem estrela e sem lua Te procurava no céu
Fiz do piano a viola Fiz de mim mesmo o amigo Fiz da verdade uma história Fiz do meu som meu abrigo
Quem canta fala consigo Quem faz o amor nunca quer ferir Quem não fere vive tranqüilo Vê muita gente sorrir
E quem não tiver do seu lado A quem ama e quer ver feliz Não diga que não se importa Diga só o que o amor lhe diz
Essa mentira é uma espuma Que se desmancha no ar E deixa n’água um espelho Para você se ver chorar
Sorriso bom só de dentro Ninguém é bom sendo o que não é Eu, pra ser feliz com mentira Melhor que eu chore com fé.
>Caros amigos , confesso que Gilberto Gil foi quem me fez primeiro sentir e ver o bem e a energia que é a música . Anos mais tarde , descobri muitas outras coisas….

Gilberto Gil ( Um Mestre…)
Refazenda contínua : por uma questão de (des ) ordem
Em 1965, Gilberto Gil lança o compacto simples “Roda / procissão”e – felizmente – Aborta uma iniciante carreira de advogado para dar à luz toda sua genialidade, sua rica musicalidade. Lá por volta de 66/67 foi, como sabemos, um dos líderes da tropicália que tentou entre outras coisas retomar a autofágica e tão importante “Semana de 22” na música. Até aí tudo bem , por si só já seria história, mas…
A questão é que menos de ano depois ( em 1968 ) ao invés de conformar-se , Gil resolveu experimentar ir para além da tropicália e , entre outras coisas, grava a música “Questão de ordem”. Resultado : vanguarda total , experimentalismo musical de tal ordem que parece ( se é que podemos supor) uma ponte artística-sonora inacreditável entre a tropicália, e o festival acidental de Woodstock , além do encontro com os ritmos africanos. Como se a estética musical pós-moderna autofágica tropicalista encontrasse os atabaques originais, além da psicodelia intuitiva e vanguardista de um Hendrix com seus solos alucinantes e seus sonhos de experimentar e questionar e colorir o mundo convencional , o mundo normal ( ou seja repleto de normas e leis paralizantes ).
Mais uma vez Gil surpreendeu e sintonizou-se com o que de mais vanguardista existia no mundo musical.Em sua busca de sonoridades e liberdades musicais e humanas em última instância, conseguiu compor nada menos que uma espécie de “incógnita musical iconoclástica” , ou seja, a música “Questão de ordem” que , curiosamente foi apresentada por Gil no III Festival da Canção de 1968.
Imaginem a cena , os jurados , após a música, ficaram “atonalizados”e , numa reação muito comum de auto-defesa, sem saber com o que estavam lidando , sem saber como julgar a “estranha música”, acabaram por desclassificá-la.
Dizem que nesta ocasião do festival, que Caetano Veloso faz o providencial comentário ( referindo-se aos jurados ) : “o Gil fundiu a cuca de vocês!…” Gilberto Gil é assim , um gênio surpreendente e sensível e, como todo gênio, sempre com um pé nas vanguardas e outro na ( também tão importante) tradição clássica.
Observem: em 67 lidera a Tropicália , em 68 grava a revolucionária “Questão de Ordem” e em 69 lança com Caetano o disco e o polêmico espetáculo ao vivo “Barra 69” que rendeu a censura militar e o exílio de Caetano e Gil em Londres ( vide foto ). E tudo isso é só o início da criativa carreira de Gil…
Um ser musical , internacionalista supra conceitual, advogando em nome do amor à música, do amor à arte , em none da criação ; criação que está na alma dos homens , na Alma dos gênios, na alma de Gilberto Gil.
Obs.: Trata-se de uma baita experiência ouvirmos “Questão de ordem”. A música nunca saiu em LP, apenas num compacto simples, mas está disponível no LP sobre Gil da “ Nova coleção da música popular brasileira” perdido nos sebos de discos da cidade, ou , quem sabe, se tivermos sorte, em alguns arquivos da Net.
Marcelo Stepon
|
|
[12/2/2005 17:00:18 stepon
VAMOS FALAR SOBRE ATUALIDADES ?
O GOVERNO LULA E OS PARADOXOS DA POLÍTICA
Em primeiro lugar , para que não reste dúvida após a leitura do texto, declaro que votei no Lula, porém, sem muita excitação confesso, mesmo porque sou cabra macho e não me excito com homem algum, mesmo que, creio eu , o Mick Jagger me abrace por trás e morda meu pescoço com sua deliciosa boca…
Comos sabemos, temos uma forte e presente tradição colonialista-cristã que se apossou de nossa cultura a tal ponto que muitas vezes passamos a raciocinar, mesmo que inconscientemente , dentro de uma ” lógica da esperança” quase que religiosa. Neste caso o Lula e seus blue caps do PT teriam um plano secreto para o povo e contra os poderosos , mas no momento não poderia revelá-lo aos ansiosos fiéis que votaram nele. E mais,, parte dos poderosos estariam apoiando o Lula, cochilando, e seus cachimbos caindo… Simples não? Alguma coisa está errada neste conto de fadas chamado ” esperança no governo Lula”, e, pior , não sabemos se a estrelinha vai brilhar ou ofuscar nossa vista.
Em relação à América Latina , com a heróica exceção de Cuba, a metrópole sempre deu as cartas , cabendo à colônia acatar e no máximo torcer passivamente por medidas mais justas, ter fé num certo sentido, fé e esperança n´alguma boa intenção dos governantes que dirigem e legislam em nosso nome , já que pelo voto , delegamos a eles esta nobre tarefa em prol de um imaginário ” pacto social” ..Falando em pacto social, Lembrei- me de Hobbies, sei que o Lula é mais bonzinho e não é enviado por Deus, mas tenho uma forte intuição que o PT está acalmando mas obviamente não matou o Leviatã capital, nascido e criado pelas metrópoles, pelo primeiro mundo.
Para mim, a questão de se confiar num governo, seja lá qual for, remete-se à velha questão da representação, de votar e passivamente delegar o poder da decisão para o governante , tal como assinanar um cheque em branco e torcer para o governante preencher corretamente durante seu governo contra todos os complexos estratagemas da classe dominante. Ou esquecemos que vigiando o governo ,Lula há ainda uma truculenta e organizada classe dominante?
Talvez por esta delegação passiva de poder para os governantes aliado à metrópole ainda dando as cartas , Paulo Arantes tenha chamado o voto de mero ” ritual obsoleto”.
Pois bem, votamos no Lulinha do povo, mas ele é governo agora e tem a seu dispor uma gigantesca máquina viciada, com quadros diretos e indiretos representantes dos mais variados interesses de classe , ou alguém é tão ingênuo ao ponto de achar que o povo está no poder só porque há um presidente simpático em relação ao mesmo.
Para o governante no poder não entra boa intenção ou sensibilidade, estas coisas estão em outras esferas (arte, literatura…); estão em vários lugares, mas certamente não na esfera política que é feita se puro conflito e estratégia. Não esqueçamos de O Príncipe de Maquiavel… O dia-a-dia de todo governo (. e Lula é governo ! ) é assinar e cumprir acordos e contratos das mais diversas ordens ,e obviamente cada um deles contém uma estratégia, uma representação ( interesse) de classe.Os famosos acordos com o FMI são apenas a ponta do iceberg, a vedete da mídia , mas a nós mortais passivos que já delegamos o poder não nos é ” revelado” o conteúdo destes acordos firmados ; por este simples motivo, o eleitor matuto já deveria ficar desconfiado, ter sua esperança maculada, mas parece que a esperança insiste em não morrer, mas acaba matando outras formas de luta. Alguém me contou que se trata de uma esperança vaga, daquelas de quem sabe à noite assistir ao jornal nacional e ver, no confortável ( ou não) sofá, se o Lulinha fez alguma coisa de bom naquele dia. Já imaginaram o Che no sofá,assistindo TV e esperando um dia Cuba se libertar?
Outra hipótese pouco considerada e que demole qualquer sonho de ver a estrela brilhar é que segundo pesquisa realizada há uns dez anos atrás, se não me engano pela revista “Isto é” , 70% do congresso e seus poderes constituídos ( aquele que elabora as leis e controla - desculpe, tinha que falar vigia apenas) o governo é empresário ou ligado indiretamente aos interesses e empresarias, e são eles que dão as cartas, que aprovam ou não as ” belas intenções ” do PT ; ou alguém está acreditando que o Lulinha e seus blue caps são tão engenhosos que farão seu projeto emergir lentamente ? Será que há algum projeto mais radical ? Eu disse projeto, não disse aquela cartilha de intenções chamada projeto de governo que o PT como o PSDB distribuem pouco antes da eleição.
Outra coisa perversa que parece que esquecemos em detrimento de nossa vaga esperança, é que não sabemos se o Lulinha vai ser reeleito e mesmo que seja , o tempo urge , seu mandato já está se esgotando e o sucessor será de outro partido , pois na brincadeira burguesa constitucional de sucessão só vale uma reeleição, lembram? ( organização burguesa às vezes pode estar até meio debilitada mas não dá ponto sem nó…) Pois bem , no mundo real com certeza outras forças conservadoras tomarão o lugar do Lulinha e a desilusão voltará , tão viva como nossa fé e passividade atual no governo Lula, mesmo porque a organização dos trabalhadores , sua conscientização ,estas coisas realmente relevantes para se mudar e controlar qualquer sociedade, nem mesmo são mais abordadas pelo PT. Por que será que não se fala mais nisso?
“Há duas hipóteses :
1 - Eles se esqueceram pois são muito distraídos.
2- Eles são governo agora.
Para além de uma passiva esperança o que temos ? Não há esperança no fim do túnel, muito melhor que isso , o MST por exemplo não está, como nós esperando nada do Lulinha do povo não caíram na armadilha de esperar seja lá o que for em relação a seja lá qual o governo, eles estão agindo , reivindicando, invadindo , lutando por uma vida melhor. Questão de vida ou morte. E nós, votamos no Lulinha e estamos ainda com esperanças na estrela que vai brilhar não se sabe onde, como e nem de que forma. Notaram a diferença de postura? Cuidado amigos pois como cita o Abujanra em seu programa ” provocações” :
” A ESPERANÇA ACABOU COM A AMÉRICA LATINA ! “
por Marcelo Steponkevicius ( início 2004 )
|
|
[12/2/2005 16:45:18 stepon

O OUTRO GUARDA UM SEGREDO : O SEGREDO DO QUE EU SOU. QUE TAL SER APRESENTADO PARA SÍ MESMO? Esta é uma Homenagem para Roberta ( minha psicóloga ) pelo seu profissionalismo, atenção, seriedade e sensibilidade.
Sabemos que “nascer é muito comprido” mas creio que nunca é tarde para lutar e dizer obrigado e desejar uma sorte de boas novidades para todos nós.
Um grande abraço Roberta.
Marcelo
“O ato de ver apanha não só a aparência da coisa, mas alguma relação entre nós e essa aparência… A imagem pode ser retida e depois suscitada pela reminiscência ou pelo sonho. Com a retentiva começa a correr aquele processo de co-existência de tempos que marca a ação da memória : o agora refaz o passado e convive com ele.
…O nítido ou o esfumaçado, o fiel ou o distorcido da imagem
devem-se menos aos anos passados que à força e à
qualidade dos afetos que secundaram o momento de sua fixação.
A imagem amada, e a temida, tende a perpetuar-se : vira ídolo ou tabu. E a sua forma nos ronda como doce ou pungente absessão.”
O ser e o tempo da poesia in : Imagem, discurso - Alfredo Bosi
…………………………………………………………………………………… PEQUENAS CONFABULAÇÕES ACERCA DE MEU TEMPO…
Em tempos de mídia e realidade virtual e “Big Brother “, em que as pessoas parecem estar sendo filmadas ( vigiadas. condicionadas, cobradas ) o tempo todo, a espontaneidade , a sinceridade ( qualidades vitais para as relações humanas saudáveis ) parece que estão sufocadas, embotadas, e até chegamos algumas vezes ao absurdo tragicômico de muitas vezes fingirmos que somos “super alguma coisa” ou até fingirmos que somos espontâneos para parecermos mais humanos. Que baita dilema!!! ( vide crônica da alegórica advogada - neste blog ). Creio que precisamos lutar para sair deste ciclo vicioso e simplesmente - viver!!! - da maneira mais natural possível, com todas as emoções e imperfeições e riscos e contradições e seja lá o que for da natureza humana.
Para todos nós que precisamos de uma pouca de poesia sincera
POEMA EM LINHA RETA ( FERNANDO PESSOA)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indescupavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana Que confesse não um pecado, mas uma infâmia; Que contasse, não uma violência, mas uma coabrdia! Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam. Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente neste mundo? Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra ? Poderão as mulheres não os terem amado, Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca! E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? Eu, que tenho sido vil, com superiores sem titubear? Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
……………………………………………………………………………………
MARAVILHAS CONTEMPORÂNEAS…POSTO QUE, ARTIFICIAIS
Caros amigos, observem as insanidades presentes nesta foto logo abaixo; um recinto de horrores chiques chamado Shopping. Começando pelas Palmeiras ( ou planta similar ) retiradas, deslocadas… de seu local de origem e fincadas num local fechado, estéril e repleto de luz artificial. A escada rolante então, esconde segredos sutilmente horripilantes. Observem que ao pé da escada há um rapaz olhando para baixo, pois caiu numa cilada e ao subir avistou um calabouço enorme e era tarde demais para não ser devorado pelas promoções que custam o olho da cara. Logo acima do referido rapaz que cairá no precipicío, há outro que parece ter se safado da cilada inicial, mas lembrando que se esqueceu da carteira e, assim sendo, não poderá gastar , e está prestes reparem sua posição - a atirar-se da escada. Logo mais acima um clérigo ( ou coisa parecida ) todo de branco parece vagando e ao mesmo sereno em demasia ( decerto não o fantasma da ópera, mas o fantasma do Shopping ) que não pode assustar os clientes pois estes encontram-se letárgicos, alienadamente consumindo, alucinadamente, para amenizar suas frustrações diárias e, finalmente, acima do fantasma, algum mais esperto e sensível que sacou todo o lance de terror mencionado e está tratando desesperadamente - de dar no pé (rs)
 ( FAL ) CIDADE
(…) O shopping é uma cidade onde a cidade não entra. Ou, por outra, é uma cidade sem os problemas da cidade.Há de tudo em seu interior.Além das lojas, há ruas, praças, bancos para entar, cinemas e, no caso do Pátio de Higienópolis, até teatro, restaurante fino, escola de astronomia, galeria de arte e pista de Cooper. Mas o que atrai num shopping, o que fascina é o que ele não tem. Não há congestionamentos nem trombadinhas.Não há povo no shopping. O preço da assepcia é a mentira.Sim, o shopping é uma cidade de mentirinha. A atmosfera climatizada e depurada, o piso de mármore, o fausto das lojas…,tudo no shopping conduz à fantasia da cidade sem miséria.Uma cidade onde a verdade é barrada na porta. O problema é que esta cidade idealizada fecha às dez da noite, devolvendo seus freqüentadores à realidade.E a São Paulo autêntica, absurdo tornado irreversível, funciona 24 horas por dia.
Fonte : Folha de São Paulo, 18 out. 1999, p.1 -2.
|
|
[7/2/2005 01:43:50 stepon Coca-Cola é isso aí !?
PRIMEIRA POLÊMICA Caros amigos, Dizem que o segredo da fórmula ainda não nos foi revelado, vamos tentar revelar então alguns possíveis usos e/ou efeitos desta “água negra do capitalismo”?
Estórias que o povo conta :
Para lavar o banheiro, vire uma lata de COCA-COLA no vaso,
deixe que a bebida repouse por 1 hora, e depois dê descarga.
O ácido cítrico elimina as manchas na porcelana. Para eliminar
manchas de oxidação de decalques nos automóveis, esfregue o
decalque com um pedaço de alumínio (bombril) molhado na
COCA-COLA.
Para limpar a corrosão nos terminais de baterias do automóvel,
vire uma lata de COCA-COLA sobre os terminais para desfazer a
corrosão.
Para afrouxar um parafuso oxidado - aplique ao parafuso um
tecido enxaguado em COCA-COLA por vários minutos.
Para assar um presunto defumado, esvazie uma lata de COCA-
COLA na fôrma, envolva o presunto em papel alumínio e asse-o.
Trinta minutos antes que esteja pronto, retire o alumínio para
que as gotas de COCA-COLA dourem o presunto.
Para tirar a graxa das roupas, esvazie uma lata de COCA-COLA
na roupa gordurosa, adicione detergente para lavar o açúcar e
programe a maquina para um tempo médio. A COCA-COLA
ajudará a remover as manchas de gordura.
A COCA-COLA também ajuda a limpar para-brisa. E isso é o que
bebemos !!!!
Nota: (Para tudo, pode ser usada a mesma quantidade de
Pepsi.) Para sua informação:
O PH de bebidas gasosas, gira em torno de 3,4. Esta acidez é
tão forte que dissolve dentes e ossos. Nosso corpo detém o
crescimento dos ossos na idade de 30 anos. Depois disso,
aproximadamente 8-18% dos ossos se dissolve através da
urina, dependendo da acidez dos alimentos ingeridos. Acidez
não depende do sabor da comida, e sim da relação de potássio,
cálcio, magnésio, fósforo, etc. Todos os compostos de cálcio
dissolvidos se acumulam nas artérias, veias, tecidos da pele e
órgãos. Isso afeta o funcionamento dos rins.
Os refrigerantes não têm qualquer valor nutritivo (vitaminas e
minerais). Têm, isto sim, um conteúdo alto de açúcar, acidez e
outros aditivos, como conservantes e corantes. Algumas pessoas
gostam de refrigerantes gelados depois de comer. Adivinhe qual
o impacto disto? Nosso corpo tem uma temperatura perto dos 37
graus, entre outras coisas para o bom funcionamento das
enzimas digestivas. A temperatura de refrigerantes gelados é
muito menor do que 37 graus - as vezes beira o 0 grau - e isto
reduz a efetividade das enzimas, o que leva o sistema digestivo
a digerir menos comida. De inicio, a sobra de comida fermenta.
Os alimentos fermentados produzem gases e mau-cheiro,
decompõe-se e formam toxinas que são absorvidas pelos
intestinos e circulam no sangue, espalhando-se por todo o
corpo.
O derramamento de toxinas pode provocar varias doenças.
Dióxido de carbono é algo que médico algum recomendaria
como parte da dieta de alguém. Se você fizer uma experiência,
colocando um dente quebrado em uma garrafa de Coca, por
exemplo, em 10 dias o dente se dissolvera. E isto que dentes e
ossos são os únicos elementos do corpo humano que
permanecem intactos depois da morte.
Imagine o que faz um refrigerante no intestino !!!!!!
Os que gostam destas coisas tem o livre arbítrio para continuar
bebendo-as, mas, pelo menos, agora sabem um pouco mais
sobre seus efeitos.
……………………………………………………………………………………

Kids Transando AOS PEDÓFILOS DE PLANTÃO!
A pedofilia é indício de patologia ( doença) psíquica. Crianças são imaturas psicologicamente e imaturas em relação a sua própria sexualidade. Caso você conheça alguém que espera ou imagina relacionar-se sexualmente com alguma criança ou que possua obsessões sexuais relacionadas com crianças, damos uma séria dica : ACONSELHE-A A PROCURAR UM PSICÓLOGO PARA TRATAR E CONTROLAR ESTE TRANSTORNO.
|